O Maior Bairro da ZN: A História de Santana

O bairro de Santana, referência na zona norte de SP, nasce de uma passagem entre a Vila de São Paulo e o interior do país que, até então, era colonial. A fazenda de Sant’anna, propriedade da famosa Companhia de Jesus, ia do Mosteiro da Luz até a Serra da Cantareira, representando um pedaço imensurável de terra.

Durante o século XVII, o Rio Tietê era uma passagem obrigatória para as famosas monções, as frotas de canoas que utilizavam as vias fluviais para abastecer os povoados mais longínquos. A sede dos religiosos, inclusive, foi construída em 1734, onde hoje está localizado o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Exército (CPOR), na Rua Alfredo Pujol.

Entretanto, pouco depois, em 1758, o Marquês de Pombal acabou expulsando os religiosos do local e as terras passaram para a coroa portuguesa, onde acabaram divididas em pequenas e médias propriedades. Uma dessas propriedades, inclusive, era chamada de Solar dos Andradas já que pertencia a José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência do Brasil.

Alguns estudiosos garantem que a residência serviu de palco para várias articulações políticas no período e ali foi redigida uma representação oficial paulista ao governo imperial que acabou contribuindo para Dom Pedro I declarar o “Fico” e, mais para a frente, a Independência do país.

Os Alagamentos E A Poluição Do Tietê

Esse “problema” acabou sendo fundamental para que a região fosse pouco habitada até o século XIX, quando o governo imperial teve que incentivar os imigrantes a ocupar a região. Por incrível que pareça ainda é possível conferir algumas edificações da época, como o Palacete Baruel, construído em 1879 na Rua Voluntários da Pátria, e uma casa também em estilo nórdico, que hoje abriga a Biblioteca Municipal Narbal Fontes, na Rua Conselheiro Moreira de Barros. Ambos pertenciam ao comerciante Francisco Antonio Baruel.

A ocupação definitiva da região se intensificou a partir do século XX. No ano de 1893, a Companhia Cantareira de Esgotos precisou captar água da serra para abastecer o reservatório da Consolação. A medida mais barata para a locomoção do material e funcionários foi a construção de uma via férrea que ficou conhecida como o “Trenzinho da Cantareira”, que também ajudou a povoar de maneira mais consistente a região de Santana.

O percurso ia da Estação da Luz ia até a serra, com ramais que iam, também, para o Jaçanã, região imortalizada por Adoniran Barbosa em “Trem das Onze”. O Cantareira, como também era conhecido à época, inicialmente não transportava passageiros, pois fora criado para facilitar o contato com o reservatório de água da Serra da Cantareira. Entretanto, alguns moradores passaram a pegar carona e isso fez com que, após algum tempo, o trem se tornasse o primeiro transporte público de Santana.

Nas margens do Rio Tietê, também, surgiram clubes que usavam o rio para esportes e, claro, recreação.  Um dos clubes mais antigos é o Esperia, fundado em 1899, que tinha o remo como “carro-chefe”. A natação também era largamente praticada na região, como por exemplo, a Travessia de São Paulo a Nado, considerada a São Silvestre das águas, realizada entre 1924 e 1944.

Os atletas nadavam da Ponte da Vila Maria à sede do Esperia. Navegar por ali se manteve como opção de lazer até a década de 70. A poluição se tornou um perigo para a saúde dos atletas. Apesar de possuir um intenso comércio, Santana caracteriza-se como um bairro residencial e é um dos maiores e mais importantes da Zona Norte, pois faz a ligação da região com o centro da cidade.

Referências: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_m_z/narbalfontes/index.php?p=183

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