Belvedere Trianon: a obra de arte antes do MASP

O Belvedere Trianon, no lugar onde hoje está o Masp, na década de 40

O espaço onde hoje está um dos museus mais famosos de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), já foi um espaço conhecido como Belvedere Trianon, um mirante com terraços panorâmicos para a cidade. O projeto desse espaço público, que também ficou conhecido como Miradouro da Avenida ou Belvedere da Avenida, era assinado pelo escritório de Ramos de Azevedo.

Segundo recortes do Estadão, o Belvedere foi entregue no dia 12 de junho de 1916 pelo então prefeito Washington Luís, quando diversas autoridades compareceram ao evento de inauguração. Além dos terraços que vemos em fotos antigas, o local também possuía salões para festas e convenções e outros serviços, como restaurante e confeitaria.

Em 1916, as pessoas se reuniam para um chá das cinco

A alta sociedade paulistana costumava frequentar muito o local, sendo um point de chá de fim de tarde. No fim da década de 20, com a crise do café, o local se “popularizou”. O restaurante e os salões foram fechados e um bar foi aberto para atender ao novo público.

A título de curiosidade, e ainda segundo o Estadão, uma senhora conhecida como Madame Poças Leitão, que por anos respondeu pelas aulas de boas maneiras e desenvoltura no colégio Des Oiseaux, era agora a responsável por ensinar a arte do fox trote e do chá-chá-chá aos rapazes e moças.

Belvedere Trianon em uma imagem sem data

O local foi se degradando aos poucos e, em 1953, acabou demolido para ceder espaço para a 1ª Bienal de Arte Moderna de São Paulo. Com o sucesso do evento, o terreno foi doado pela prefeitura para a construção do Masp, que seria inaugurado em 1968.

Construção do pavilhão para a 1ª Bienal Internacional de Arte, no lugar do antigo Belvedere, em 1951

Outra curiosidade interessantíssima fica por conta de um manifesto, dessa vez publicado no jornal O Correio Paulistano, onde o famoso arquiteto Christiano Stockler das Neves publicou diversos artigos com o título de “Bom gosto, por que te escondes e não reages”? Como é possível perceber, claramente o arquiteto era contra a arquitetura moderna e a demolição do Belvedere.

Correio Paulistano de 5 de dezembro de 1951

O que é um belvedere? Apenas para curiosidade de quem não souber o significado da palavra Belvedere, fica o registro do que encontramos na internet: “Terraço no alto de um edifício ou de um morro e de onde se enxerga um belo panorama; miradouro” ou “Pequena construção isolada com uma bela vista; mirante”.

O Belvedere em junho de 1925

 

Belvedere na década de 20

 

Demolição do Belvedere

 

Demolição do Belvedere em 1947

 

Pavilhão da Primeira Bienal de São Paulo em 1951

Referências: http://m.acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,era-uma-vez-em-sp-belvedere-trianon,11165,0.htm?fbclid=IwAR0PhMSscmpkrE1NNZfFd7KYFzHG1QWHu2ujZVTtABPp_WqSZchrmX7b1vo

Acervo do jornal Correio Paulistano

6 comentários em “Belvedere Trianon: a obra de arte antes do MASP

  • 9 de dezembro de 2019 em 23:10
    Permalink

    Adorei a reportagem sobre o Belvedere. Completo. Sempre tive curiosidade de saber mais sobre essa obra de arte. Inclusive, acredito que é naquele vão do Masp que ficava aquela vista sobre a cidade, que hoje não dá para ver mais nada. Aliás, me parece que o vão do MASP foi uma das exigências para a construção do prédio, para conservar a vista. Para quem gosta do prédio do MASP que me desculpe. Mas é muito feio.

    Resposta
  • 12 de dezembro de 2019 em 11:03
    Permalink

    Também gostei muito! Fico feliz em ver a história de SP. Uma pena, essa maravilhosa construção ter se perdido e ser substituída por aquela “caixa suspensa”. (sim, concordo com a Sílvia, que comentou acima: o Masp é feio). E concordo com o arquiteto citado quanto ao modernismo. Para mim, foi o início da decadência nas artes.

    Resposta
  • 27 de dezembro de 2019 em 19:01
    Permalink

    Toda arquitetura é uma referência histórica de época e lhe abre a mente para reflexões gerais. Daí eu ser contra as demolições de construções que eram parte das atividades da população, seja de classe for. Fico Triste.

    Resposta
  • 5 de janeiro de 2020 em 14:11
    Permalink

    Essa é a história de São Paulo, a cidade sempre se renovou destruindo o que havia antes, assim desapareceram as construções de taipa que envergonhavam os novos ricos do café, assim vieram abaixo prédios como os palacetes Prates, que envergonhavam os modernistas. Acho o prédio do Masp lindo, seu acervo é maravilhoso…mas ele poderia ter sido construido em outro local, sem destruir o Trianon que hoje seria um marco histórico na cidade, com inumeras possibilidade de uso popular.
    Era um Ramos de Azevedo e era lindo, foi uma pena.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *