Um Pintor de Muitos Talentos – A História de Benedicto Calixto

Uma das mais famosas praças da cidade de São Paulo é a Benedicto Calixto. Ali, aos finais de semana, acontece uma bela feira de antiguidades com seu famoso centro gastronômico, palco de bons passeios com a família.

Contudo, pouca gente sabe a origem desse nome e quem foi Benedicto Calixto, patrono desse pequeno logradouro público. Nascido no município de Conceição de Intanhaém em 1853, Calixto foi professor, historiador, ensaísta e pintor, sendo esta, sua maior paixão.

Benedicto Calixto
Benedicto Calixto

Ainda muito jovem, Benedicto acabou se mudando para Brotas, no interior de São Paulo, onde adquiriu noções de pintura com seu irmão, Joaquim Pedro de Jesus, que trabalhava com a restauração de imagens sacras na igreja local da cidade.

A primeira exposição de Calixto acontece em 1881, na sede do jornal Correio Paulistano, em São Paulo. Anos depois, ele se muda para Santos e trabalha na oficina de Tomás Antônio de Azevedo e é incumbido da decoração do teto do Theatro Guarany.

Em 1883, viaja a Paris para estudar desenho e pintura, com recursos concedidos pelo visconde Nicolau Pereira de Campos Vergueiro. Freqüenta o ateliê de Jean François Raffaëlli (1850 – 1924) e a Académie Julian, e convive com os pintores Gustave Boulanger (1824 – 1888), Tony Robert-Fleury (1837 – 1911) e William-Adolphe Bouguereau (1825 – 1905), entre outros.

Ao retornar para o Brasil em 1884, Calixto trouxe uma câmera fotográfica, que passou a utilizar para elaborar suas composições. Voltou a morar  em Santos e, anos depois,  em São Vicente.

Ele foi o autor de inúmeras marinhas, em que representa o litoral paulista. No começo do século XX, resolve pintar temas religiosos para igrejas na capital e interior do Estado de São Paulo.

Benedicto também foi o autor de diversas pinturas sobre antigos trechos das cidades de São Paulo, Santos e São Vicente para o Museu Paulista da Universidade de São Paulo (MP/USP), por encomenda do diretor do museu o historiador Afonso d´Escragnolle Taunay (1876 – 1958).

Dedicou-se também a estudos históricos da região e à preservação de seu patrimônio, e publica, entre outros, os livros A Vila de Itanhaém, em 1895, e Capitanias Paulistas, em 1924.

A chegada do Frei Pedro Palácios (1926)
A chegada do Frei Pedro Palácios (1926)

Nos últimos anos de sua vida, Calixto se transformou em uma autêntica máquina de fazer quadros, como se pode observar desse trecho de uma carta remetida em maio de 1919 a um comerciante que se incumbia de lhe vender a produção:

“Peço-lhe o favor de tomar nota das pessoas que querem outros quadros, a fim de que as mesmas se expliquem sobre o tamanho e o gênero que desejam, bem como o ponto ou lugar que devo reproduzir”.

Na mesma carta, desencantado, acrescenta:

“Pouco ou nada me adianta, agora que já estou velho, a opinião e conselho dos críticos sobre meus trabalhos. Desejaria apenas, que os jornais dessem notícias dos quadros vendidos, etc., e mais nada, pois não preciso de reclame”.

Durante toda a sua trajetória produziu aproximadamente 700 obras, das quais 500 estão catalogadas. Pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. Estas últimas lhe renderam a comenda de São Silvestre, outorgada pelo papa Pio XI, em 1924.

Foi o isolamento em que viveu que  impediu Calixto de ser um grande frequentador do Salão Nacional de Belas Artes, em cujos catálogos o seu nome surge apenas duas vezes, em 1898 (medalha de ouro de terceira classe) e em 1900.

Também por isso não tomou parte, senão raramente, de certames internacionais, como a Exposição de Saint-Louis de 1904, na qual conquistou também medalha de ouro. Mesmo escondido em São Vicente, nunca deixou de ser prestigiado, como o comprovam os clientes e o avultado número de alunos, a começar por sua própria filha, Pedrina Calixto Henriques, cuja pintura é subsidiária da sua.

Faleceu de infarto, no dia 31 de maio de 1927, em São Paulo, na casa de seu filho Sizenando, para onde tinha ido com a intenção de comprar material para terminar duas telas para a Catedral de Santos.

2 comentários em “Um Pintor de Muitos Talentos – A História de Benedicto Calixto

  • 2 de dezembro de 2014 em 20:56
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    No geral a biografia está boa, apenas faço ressalvas para o terceiro parágrafo, onde diz que ele adquiriu noções de pintura com seu tio… Nota: Joaquim Pedro de Jesus era seu irmão e não seu tio. B. Calixto começou ajudando seu irmão a cuidar das imagens na igreja local, retocando-as quando necessitavam de reparo, pois ele já tinha noções de pintura.
    Tenho conhecimentos de sua biografia, pois sou bisneto do pintor.

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    • 28 de dezembro de 2019 em 21:12
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      O texto está correto, e o Bisneto equivocado .

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