A Estátua de Santo Amaro – O Borba Gato

A cidade de São Paulo é conhecida por seus cartões postais: Museu do Ipiranga, MASP, Ponte Estaiada, e várias outras construções representam bem a nossa rica história de desenvolvimento e aprimoramento.

Entretanto, um desses monumentos, o Borba Gato, é tema de debate entre os habitantes de São Paulo, tanto por seu gosto, quanto pela homenagem a um bandeirante. O monumento, inaugurado em 27 de janeiro de 1963, foi uma ideia do famoso escultor Júlio Guerra, um dos grandes artistas plásticos de São Paulo.

Cabeça Borba Gato

A obra começou a ser construída no ano de 1957 e, praticamente todos os tópicos relacionados à estátua, são impressionantes. Ela possui 10 metros de altura, sendo 13 com o pedestal, e pesa 40 toneladas. Entretanto, sua maior curiosidade fica por conta de seu interior, que possui trilho de bonde em sua estrutura.

Construção do Borba Gato no quinta da residência de Julio Guerra
Construção do Borba Gato no quinta da residência de Julio Guerra

O escultor, que não optou pelo bronze, material comumente para estátuas e monumentos, precisou arrumar uma solução criativa para a estrutura de sua obra. Como o Borba Gato é gigante e os trilhos de bonde eram recorrentes na região, já que o modal começava a ser deixado de lado, Guerra decidiu que aquele material seria o ideal para sustentar sua obra.

Dessa maneira, após preparar os moldes em gesso, o artista começou a estruturar seu gigante que seria composto por argamassa, trilhos e pedras. É importante ressaltar que são pedras e não pastilhas que fazem parte da composição do Borba Gato. Enquanto era vivo, Guerra fazia questão de lembrar que todas as pedrinhas foram quebradas por ele mesmo para serem colocadas no monumento.

Recorte de Jornal Mostrando Julio Guerra e a Mão do Borba Gato
Recorte de Jornal Mostrando Julio Guerra e a Mão do Borba Gato

Tudo foi construído na casa do artista, que ficava na Avenida João Dias, e foi encomendada para ser inaugurada em 1960, data do IV Centenário de Santo Amaro. Com o falecimento de um de seus filhos em 1958, a obra acabou atrasando.

A estátua, mesmo com mais de 50 anos de vida em São Paulo, ainda é tema de muitos debates e discussões. Afinal, alguns alegam que a construção lembra de um período de violência contra os moradores originais da nossa cidade. Fato é que a estátua é um cartão-postal da metrópole.

Referências: http://www.saopauloantiga.com.br/borba-gato/

https://santoamarosp.com/julio-guerra/

http://www.encontrasantoamaro.com.br/santo-amaro/estatua-do-borba-gato-em-santo-amaro.shtml

http://tudoporsaopaulo1932.blogspot.com.br/2010/11/estatua-de-borba-gato.html

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4 comentários em “A Estátua de Santo Amaro – O Borba Gato

  • 20 de março de 2017 em 10:18
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    Gostando-se ou não, o importante é respeitar os monumentos da cidade. Isso é cidadania. Porém, quem estabeleceu que a estátua é ‘feia’? Por que a mídia procura valorizar essa ‘polêmica’?

    Quanto aos Bandeirantes, os julgamentos que se fazem sobre os conquistadores ocorrem sempre fora do contexto histórico. Foi assim que o Estado Islamico justificou a destruição dos monumentos em Palmira. Entretanto, gostaria que alguém aqui apontasse algum lugar no planeta onde as conquistas foram feitas com abraços e apertos de mão.

    Pobre São Paulo, estado cuja história é detratada pelos próprios filhos!

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    • 8 de dezembro de 2017 em 20:37
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      Concordo com sua opiniao. Muita gente acha bonito, moderno, chic, cool criticar por criticar, embora sem embasamento para tal. Em relacao aos bandeirantes — que estenderam para oeste, sul e norte os limites do Brasil — os que hoje os condenam deveriam refletir sobre o fato de que nao fossem a coragem e o destemor daqueles desbravadores, esses “brasileiros” estariam agora falando espanhol.

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    • 9 de dezembro de 2017 em 15:04
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      Só que nós, imensa maioria dos paulistanos somos filhos de descendentes europeus em algum nivel. Que porcaria de conquista é essa que a gente se orgulha de ter dizimado populações indígenas que viviam aqui de boa antes dos europeus? De catequisar indígenas, estripando-os da cultura deles?
      Não tem que ter nenhum orgulho desse genocídio.

      Se isso era o padrão em 1500, não é agora. Significa que o povo evoluiu. Então por que exaltar isso?

      Pra mim não precisa derrubar por causa do artista. Mas o significado dela é uma bela porcaria.

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  • 8 de dezembro de 2017 em 12:14
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    Gostei da tua reflexão. Concordo. Uma outra injustiça que vejo frequentemente é com o painel da independência do Pedro Américo. A crítica é que o quadro não retrataria a realidade, mas o quadro La Liberté guidant le peuple do Eugène Delacroix, também é uma fantasia sobre um momento histórico e todo mundo acha genial…

    Aproveito para registrar que achei a matéria do post bem interessante!

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