A Administração de José Vicente Faria Lima – O Patrono do Metrô

Pouca gente conhece a história de um dos maiores prefeitos da história da cidade de São Paulo, José Vicente Faria Lima. Algumas pessoas podem discutir sua pouca atenção dada ao verde da nossa cidade, mas sua visão de futuro e realização de grandes obras são inquestionáveis.

É sua a lendária frase que diz “A cada ano crescemos uma nova Brasília, a cada dois uma nova Curitiba e a cada três uma nova Porto Alegre. É preciso construir e trabalhar muito”. E ele seguiu a risca o que prometeu nos 4 anos que ficou na prefeitura (1965 – 1969).

Sua rotina era praticamente a mesma todos os dias.Acordava ás 5 da manhã e lia os principais periódicos. Lá pelas 7 horas ligava para seus secretários e comentava sobre as notícias e agendas do dia. Uma hora mais tarde já estava no seu escritório despachando os principais assuntos.

Mas não seria somente ali que se destacaria. A todo o momento era visto em seu helicóptero amarelo visitando os canteiros de obras. Mais do que isso, era visto cobrando ao tudo o que tinha direito das empreiteiras, principalmente prazos e qualidade dos serviços.

José Vicente Faria Lima
José Vicente Faria Lima

Sua fama de bom administrador foi revelada inicialmente quando era diretor do Parque da Aeronáutica de São Paulo, quando ainda era militar. Sua boa atuação o fez ser chamado por Jânio Quadros para presidir a VASP, na época uma estatal.

E o efeito foi imediato. De uma empresa combalida e com diversos problemas se tornou uma referência em eficiência e atendimento. Após os bons resultados obtidos, Jânio convidou o Brigadeiro para ser o secretário de Viação e Obras Públicas.

A prefeitura da cidade foi apenas o progresso natural deste grande administrador. Foi ele quem começou as obras do Metrô e deixou o Plano Urbanístico Básico da cidade. Entre suas grandes obras se destacam os 45 km das marginais do Tietê, a interligação das avenidas 23 de maio e Rubem Berta, 51 viadutos e pontes, além do alargamento de diversas ruas.

Foi o responsável pela construção da avenida Faria Lima (homenagem post-mortem), que liga os bairros de Pinheiros ao Itaim Bibi e que, inicialmente, receberia o nome de Radial Oeste.  Foi pioneiro também no atendimento da população de 0 a 4 anos, criando as primeiras creches municipais. Construiria também escolas, hospitais e postos de saúde. Na área cultural deixou sua marca ao concluir o prédio do Museu de Arte de São Paulo, que foi inaugurado pela Rainha Elizabeth II da Inglaterra durante sua visita oficial.

Em 1968 ajudou a conduzir o último bonde de São Paulo no trajeto Centro-Perdizes. Seria muito criticado por erradicar esse transporte na cidade e, principalmente, por acabar com linhas que eram verdadeiros metros ao céu aberto, como a linha para Santo Amaro, que englobava as avenidas Ibirapuera e Vereador José Diniz.

Chegou ao final do seu mandato, em 1969, com uma popularidade jamais igualada: 97% de aprovação. A Constituição de 1967, imposta pela ditadura militar ao Congresso, havia criado um mandato tampão de mais dois anos para os prefeitos, com o intuito de fazer coincidir os mandatos estaduais e municipais, além de repor nas mãos dos governadores a indicação dos prefeitos das capitais.

O governador Abreu Sodré estava inclinado a indicar Faria Lima, mas cedeu às pressões do presidente Costa e Silva e nomeou Paulo Salim Maluf (1969-71), um ex-diretor da Associação Comercial de São Paulo a quem Costa devia alguns favores. Faria Lima morreria aos 59 anos de idade. Sua morte foi causada por um infarto fulminante na casa de uma amiga chamada Aurora Miranda, grande amiga de sua família, no dia 4 de setembro de 1969.

O ex-prefeito receberia uma homenagem um tanto quanto curiosa: uma cerimônia indígena chamada de quarup. Os únicos brancos que receberam essa homenagem foram; Faria Lima, Leonardo Vilas-Boas, Noel Nutels, Cláudio Vilas-Boas, Álvaro Villas Boas e Orlando Vilas-Boas.

Confiram aqui uma grande prestação de contas de dois anos de sua gestão: https://goo.gl/KIxqSX

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