O Pai Da Arquitetura Paulistana – Luiz Ignácio de Anhaia Mello

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Entre os grandes nomes que fizeram parte da história da política paulistana, alguns são lembrados com mais vigor do que outros. E o nome de Luiz Ignácio Romeiro de Anhaia Mello é um desses casos. Filho de Luiz de Anhaia Mello, ele foi um engenheiro civil formado no Rio de Janeiro, após trabalhar por curto tempo na Cia. Mogiana.  Além de formado em engenharia, ele também estudou Instalações Industriais nos Estados Unidos e na Europa.

Quando retornou ao Brasil, assumiu por um curto período de tempo a direção da Anhaia Fabril, uma das primeiras tecelagens do Brasil, que havia sido fundada por seu pai em 1869 em Itu e que possuía uma filial em São Paulo. Anhaia Mello entrou diretamente para o primeiro ano do curso geral da Escola Politécnica em 1909, tendo concluído o segundo ano do curso de engenheiro-arquiteto em 1913.

Sua principal atividade particular foi desenvolvida em uma empresa chamada Iniciadora Predial, onde permaneceu em cargos de diretoria até sua dissolução em 1964. Também foi diretor da Cia. Cerâmica Vila Prudente, outra empresa fundada por Ramos de Azevedo em 1910.

Além dessa participação administrativa em empresas de Ramos de Azevedo, Anhaia Mello também se dedicou à arquitetura.  Projetou algumas casas, entre as quais, a sua própria residência localizada na Alameda Ministro Rocha Azevedo e algumas obras religiosas como: Colégio e Igreja São Luiz, à avenida Paulista; a Igreja do Espírito Santo, à rua Frei Caneca, e a Matriz da Mooca, demonstrando sempre preferência pelo estilo classicista.

Como consultor do escritório de Miguel Badra Jr., participou em 1973 no projeto da Marina Canal e na elaboração do Plano Diretor do Guarujá. De fato sua atuação central foi a docência, ainda que essa tenha se ampliado para além dos limites da Politécnica, graças à sua constante produção teórica. Alcançou proeminência e teve grande influência na administração e planejamento da cidade de São Paulo.

A análise do percurso profissional-acadêmico de Anhaia Mello revela que o acirrado espaço de atuação no qual ele estava inserido, foi fundamental para a consolidação de uma série de propostas urbanas.  O seu constante conflito com Prestes Maia foi fundamental para a elaboração de uma corrente urbanística que se cristalizou na cidade de São Paulo por meio de um conjunto de legislações criadas por ambos.

Surge a FAU-USP           

Tamanho era seu apego pela docência que, em 1948, ajudou a fundar a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU). Esses cursos tiveram origem na antiga graduação de engenheiro-arquiteto, processo pelo qual ele mesmo passou.

Anhaia Mello foi o primeiro diretor da faculdade e foi o principal organizador de novos conteúdos específicos para o segmento. É considerado o pai do ensino arquitetônico paulistano.

A Contribuição

Como a maioria dos grandes políticos paulistanos, Anhaia Mello começou sua trajetória exercendo a vereança na década de 20.  Além disso, o arquiteto teve a oportunidade de ser prefeito da cidade de São Paulo durante dois mandatos:  entre 06/12/1930 e 25/07/1931 e 14/11/1931 e 04/12/1931.

Sua maior contribuição para a cidade, enquanto político, foi o debate acirrado que ele travou com Prestes Maia sobre a maneira com que a cidade de São Paulo estava crescendo e se desenvolvendo.

Os dois políticos tiveram suas ideias baseadas em modelos americanos. Prestes Maia foi o autor do famoso e polêmico “Plano de Avenidas”, baseado nos anéis viários de Viena e Chicago. Já Anhaia Mello entendia que o modelo adequado para São Paulo era o proposto por Ebenezer Howard, no fim do século XIX. Tal modelo urbano auxiliou na construção de cidades inglesas como Letchworth.

Anhaia Mello buscava, com isso, controlar de maneira rígida o crescimento da cidade de São Paulo. Não teríamos vias entupidas e bairros estritamente industriais se o plano fosse colocado em prática como ele imaginou.  Além de todas essas ideias, Prestes Maia foi um crítico ferrenho à verticalização nossa cidade.

Graças as suas atitudes, bairros como o Jardim América, acabaram preservados. Ele também foi um grande defensor das leis de zoneamento para São Paulo.  Como obra final, Anhaia Mello teve participação no planejamento da Cidade Universitária de São Paulo. O engenheiro e arquiteto acabaria falecendo 1974 e, hoje, empresta seu nome a uma importante via da nossa cidade.

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