Minha SP #02 – por Ricardo Taves – Pacaembu Eterno

Pacaembu eterno

Por Ricardo Taves*

Em uma cidade com as dimensões de São Paulo, muitas vezes nossas histórias se confundem com a evolução do nosso bairro, no máximo nossa região. É um processo natural. Uma megalópole que pulsa 24 horas e que apresenta problemas conhecidos de todos como transporte público ruim e excesso de trânsito, pode, eventualmente, intimidar o paulistano a cruzar a cidade em busca de novas referências de entretenimento e cultura.

Pode ser. Talvez seja regra, mas se for traz exceções. Aliás, a regra já diz que toda regra tem exceção. Texto atrapalhado, trânsito de letras, papo sobre São Paulo. No meu caso, apesar de adorar o bairro que cresci, consigo construir minha história a partir de um dos principais pontos turísticos da capital: o estádio do Pacaembu.

O Municipal Paulo Machado de Carvalho é mais do que um campo, é um templo. Adorado pelos corintianos, não é rejeitado por palmeirenses, santistas e são-paulinos.

É de todos, todos são dele. Palco principal do futebol paulista, cenário de minha adolescência.

Ao sair do túnel que passa por baixo da Av. Dr. Arnaldo, meu humor já se transformava. Arrisco dizer que ainda se transforma.

Ao ver a marquise do Tobogã, lá de cima, já sei que pelas próximas horas acumularei emoções. Risos, choros, xingamentos, elogios. Vou pagar caro no refrigerante, comerei um cachorro quente seco e frio, mas farei isso feliz.

É coisa de paulistano. Exigente, pois, tolerante com serviços ruins. Jogo de futebol em estádio não é para quem gosta de luxo. Faz parte.

Entre os 11 e 13 anos fui algumas vezes ao “Paca”. Me custou uns 10 ou 11 jogos ver o Corinthians enfim vencer. Acumulei empates, algumas derrotas e dores de cabeças ainda jovem.

Mas valeu a pena. Seja pela chegada, pelas horas vividas na Praça Charles Muller, comendo um pastel de feira ou se sujando com o sanduíche de pernil, foi sempre um prazer.

Aliás, volta, pernil!

Pacaembu eterno. Estádio de futebol, teatro de emoções.

*Ricardo Taves tem 33 anos, marido da Ana Carolina, pai da Ana Laura e padrasto da Ana Beatriz. Cronista esportivo desde 2001, jornalista em formação e co-autor dos livros Planeta Loucos e 1990. Antes de qualquer profissão, corinthiano. Torce, mas não distorce.

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