O fortificante de Monteiro Lobato: a história do Biotônico Fontoura

O Biotônico Fontoura que, quando eu era criança, foi apresentado como um componente que daria “fome de leão”, possui uma grande quantidade de curiosidades relacionadas ao seu surgimento, desenvolvimento e, até mesmo, exportação. Vamos a essa boa história!

O nome Biotônico Fontoura é uma homenagem ao seu criador, o farmacêutico Cândido Fontoura. Silveira. Segundo a lenda urbana mais conhecida, ele teria criado o fortificante para sua esposa, que reclamava muito de cansaço e do físico debilitado.

Com o sucesso de seu tônico, Cândido, com 25 anos fundou em São Paulo, no ano de 1910, uma fábrica/farmácia para produzir seu remédio em uma escala um pouco maior. Vale dizer que, no começo do século XX, era normal que cada farmacêutico produzisse seu próprio remédio, sendo meio que uma “assinatura” daquele profissional. O fármaco era, entre outras coisas, rico em ferro.

Diz a história que Cândido não tinha uma ideia boa para nomear o fortificante e, ninguém menos do que José Bento Renato Monteiro Lobato, o Monteiro Lobato, teria sugerido “Biotônico Fontoura”.

Propaganda do Biotônico Fontoura veiculada no jornal O Correio Paulistano de 1912

Além de sugerir o nome do Biotônico, Monteiro Lobato também teria sido um entusiasta e consumidor da fórmula. Sua relação com o remédio se tornou tão intrínseca que o escritor publicou, em parceria com a empresa de seu amigo, o Almanaque Fontoura que trouxe o personagem, Jeca Tatuzinho, baseado no Jeca Tatu que o autor criara na literatura. O almanaque divulgava o laboratório e pregava uma campanha contra a ancilostomose.

Segundo uma descrição feita pelo Estadão: “A obra, ilustrada, conta a história de um Jeca magro, doente, preguiçoso, mal nutrido. Na passagem de um médico de roça por seu rancho, o caipira fica sabendo que estava na verdade doente, com amarelão.

O médico recomenda-lhe o remédio para a doença e de reforço o Biotônico para abrir-lhe o apetite, além de recomendar botinas ringedeiras para proteção dos pés. O Jeca logo se torna um verdadeiro touro, chega a agarrar uma onça pelos bigodes, manda por botinas até em porcos e galinhas.

Ao opor-se ao caipira do estereótipo, o Biotônico serviu, entre nós, para difundir a ideologia da modernidade urbana. O livrinho de Lobato teve a edição de mais de 100 milhões de exemplares.”.

A fórmula do tônico possuía 9,5% de álcool etílico e, em 2001, a empresa teve que mexer na fórmula, por um pedido da Anvisa.

Inclusive, devido a esse teor alcoólico, há outra lenda urbana sensacional: Cândido Fontoura, que empresta seu nome a uma via de São Paulo, teria feito fortuna exportando seu tônico para os Estados Unidos, onde vigorava a Lei Seca.

Referências: https://www.saopaulo.sp.gov.br/ultimas-noticias/hospital-infantil-candido-fontoura-completa-50-anos-1/

https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,o-centenario-do-biotonico-imp-,549486

https://www.propagandashistoricas.com.br/2013/01/biotonico-fontoura-mais-de-100-anos-com.html

2 comentários em “O fortificante de Monteiro Lobato: a história do Biotônico Fontoura

  • 8 de julho de 2020 em 04:50
    Permalink

    Às proximidades da casa de minha tia-avó, à Abílio Soares (hoje o colégio INACI) havia uma farmácia de manipulação, como soía antanho. O dono, e aviador das receitas, Senhor Francisco, era amigo de Cândido Fontoura, e sempre recomendava o biotônico. Muitos ainda se lembram da canção do reclame publicitário (um dos primeiros televisivos): be-a-bá, be-e-bé, be-i-biotônico fontoura).

    Resposta
  • 8 de julho de 2020 em 19:49
    Permalink

    Depois que tiraram o álcool da fórmula original, já não foi o mesmo.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *