O Marco Zero e a iniciativa do Touring Clube do Brasil

Quem passa hoje pela Catedral da Sé, de frente para a entrada principal, vê um curioso monumento hexagonal chamado Marco Zero. Apesar de fazer parte do nosso dia a dia, quase ninguém sabe que ele foi inaugurado no dia 18 de setembro de 1934, ou seja, ele tem 85 anos de vida.

Correio Paulistano de 16 de setembro de 1934. O monumento seria inaugurado no dia 18 de setembro e não no dia 17

Segundo o jornal Correio Paulistano, um das principais fontes de informação da época, “o Marco Zero servirá para assignalar, no coração da urbe paulistana, o ponto unico de inicio das rodovias que se irradiam da capital para os differentes pontos do Estado”. E o jornal faz um registro histórico muito competente, dizendo que a iniciativa do Marco Zero, no largo da catedral, é datada de 1921, quando foi sugerida por Americo R. Netto, um dos diretores da extinta Associação Paulista de Boas Estradas.

O estilo do monumento, hexagonal e com detalhes, também foi sugerido por ele, em um artigo publicado na imprensa de São Paulo, com a colaboração de Jean Gabriel Villin. Entre os anos de 1930 e 1933 o projeto ficou parado, mas o Touring Clube do Brasil, através de sua sede de São Paulo, pediu ajuda ao prefeito Antonio Carlos de Assumpção sugerindo a construção do monumento.

Inauguração do Marco Zero de SP em 19 de setembro de 1934

O prefeito aceitou a ideia e deu o projeto na mão de Domicio Pacheco e Silva, engenheiro chefe da seção de estradas de rodagem da prefeitura naquela época. O engenheiro, que era um entusiasta da ideia, deu o parecer favorável à ideia e o Marco Zero foi construído em um prisma hexagonal de mármore paulista.

A placa de bronze original do monumento foi uma doação do mesmo Touring Clube do Brasil, onde estavam os itinerários para, partindo dali, pudessem atingir as estradas cujo rumo fina se acha indicado pelo nome do estado ou da cidade correspondente.

Assim, a face do Paraná tem um pinheiro e indica o rumo para o sul; para Santos a ideia é o mar e por isso tinha um navio; para o Rio de Janeiro, a bananeira e o Pão de Açúcar; para Minas Gerais os materiais de mineração; para Goiás a bateia e, para o Mato Grosso, atributos dos bandeirantes.

Vale dizer que o monumento é a referência para a numeração da cidade e de marcos da quilometragem das rodovias estaduais.

Referênciahttp://memoria.bn.br/DocReader/090972_08/5134 

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