A estátua esquecida de São Paulo: o monumento do IV Centenário

Todo mundo conhece os brasões da cidade, a bandeira da cidade e a bandeira do estado de São Paulo. Vários outros pontos, como o Minhocão, o Parque Ibirapuera e a Avenida Paulista são bastante conhecidos. Estátuas como o Monumento às Bandeiras, Glória Imortal aos Fundadores de São Paulo e várias outras são, também, de conhecimento popular.

Entretanto, aquela que era para ser o símbolo de São Paulo, feita para o IV Centenário da cidade, acabou esquecida. Tanto pelo tempo, quanto por nós, paulistas e paulistanos. Estou falando da Aspiral ou Voluta Ascendente, como ficou conhecida. A obra foi projetada para fazer parte do conjunto de obras de Niemeyer junto com com a Oca e o Auditório Ibirapuera, mas acabou desabando pouco depois de sua inauguração.

Representação de onde a Aspiral deveria ficar, segundo o plano de Niemeyer — Foto: Reprodução/AHSP

A ideia da Aspiral era ser um desenho que pudesse representar o crescimento e o progresso paulista. Ela ficaria próxima à entrada principal do parque e teria 17 metros de altura. O plano inicial dos profissionais responsáveis por sua construção era de que ela fosse feita com cimento armado.

O desenho do monumento fez grande sucesso na época, sendo estampado em moedas, flâmulas, em materiais oficiais de divulgação sobre a festa do IV Centenário de São Paulo e estampando a embalagem do famoso Dadinho, doce que traz diversas referências históricas de SP. Segundo o jornal “Correio Paulistano”, a inauguração oficial do monumento aconteceu no dia 25 de janeiro de 1955, quando diversas solenidades seriam realizadas para encerrar os festejos do IV Centenário da cidade.

Solenidades que aconteceram no dia 25 de janeiro de 1955

O desenho da estrutura ficou tão famoso que se tornou um broche, que era dado a convidados especiais, como foi o caso de Myriam Stevenson, a Miss Universo de 1955, que ganhou uma joia de ouro maciço quando visitou a cidade de São Paulo em fevereiro daquele ano.

Myriam Stevenson, a Miss Universo de 1955, que ganhou uma joia de ouro maciço com o símbolo, como podemos ver no canto de seu vestido

Final Melancólico

Apesar do significado e do sucesso que fez à época, o fim da Voluta foi dramático e bastante sem graça.

Em uma entrevista concedida para o jornal “O Estado de S. Paulo”, Mauris Warchavichik, filho do arquiteto Gregori Warchavichik que trabalhou no monumento, afirmou que a estátua original, de concreto armado, desabou dias antes da inauguração do Parque Ibirapuera, em 21 de agosto de 1954.

Inauguração do monumento em homenagem ao IV Centenário, a Aspiral, no Ibirapuera

Outra versão afirma que, Zenon Lotufo, após receber as especificações da Aspiral, fez diversos cálculos e chegou à conclusão de que seria impossível fazer a estátua no material recomendado, sendo necessário desenvolver o projeto em aço.

Dessa forma, nas duas versões conhecidas da história, a Comissão do IV Centenário acabou encomendando uma nova peça, feita de juta e gesso. Sem a durabilidade do concreto armado ela também acabou desabando após a sua inauguração.

Recorte do Correio Paulistano mostra como seria a estátua

Referênciashttps://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/08/24/parque-ibirapuera-teve-estatua-de-niemeyer-que-desabou-pouco-tempo-apos-sua-inauguracao.ghtml 

https://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,o-monumento-que-a-chuva-levou,233648

http://memoria.bn.br/docreader/090972_10/22412

https://www1.folha.uol.com.br/colunas/leaoserva/2018/08/cade-o-monumento-do-quarto-centenario.shtml?loggedpaywall?loggedpaywall

Um comentário em “A estátua esquecida de São Paulo: o monumento do IV Centenário

  • 30 de setembro de 2019 em 20:16
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    Lembro de ter visto no Parque. Agora entendi por que “sumiu”.

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