Outra Contribuição de Ramos de Azevedo – O Palácio dos Correios

Um dos grandes paulistanos da nossa história é Francisco de Paula Ramos de Azevedo. Mas sua história já foi contada em um espaço totalmente dedicado aos seus feitos. Hoje, falaremos de uma de suas obras que permanece em pé e é admirada por gerações e gerações de paulistanos.

Situado na esquina da Avenida São João com o Vale do Anhangabaú, para o qual está voltada a fachada principal, o Edifício dos Correios é um dos marcos característicos da Capital de São Paulo.

A história desse edifício começa em meados do século XVIII durante a guerra para estabelecer as fronteiras na Bacia do Prata. Tal conflito exigiu grandes sacrifícios das populações do sul do Brasil, em particular, das capitanias do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Ao terminar o século dezoito, o General Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça, Capitão-general Governador de São Paulo, de  julho de 1797 a dezembro de 1802, apelidado pelos paulistas de General Pilatos, começou a construir o REAL HOSPITAL MILITAR DA CIDADE DE SÃO PAULO, na área do Jardim Botânico, atual Jardim da Luz.

Mas essa construção foi interrompida e o General Pilatos começou a construir o novo prédio para o Hospital Militar no lugar chamado ACÚ, bairro de Santa Ifigênia, mais próximo da cidade.

O novo Hospital Militar foi construído nos limites da área urbana, na margem esquerda do Córrego do Anhangabaú, em terreno inclinado, abaixo de um tanque de águas com sangradouro (atual Largo do Paissandú) e nas proximidades de uma fonte chamada  Bica do Açú. Como as demais obras públicas importantes da época, o Hospital foi levantado por Subscrição.

O Hospital Militar, onde também funcionava a Real Botica, prestou muitos serviços de assistência médica. De um modo geral, os doentes eram de três categorias: Militares, de ambos os sexos, os encaminhados pela Irmandade da Santa Casa  de Misericórdia e os escravos de sua Alteza Real.

Fatos notáveis ocorriam no Hospital, como por exemplo, a aula de Cirurgia ministrada pelo Físico-Mor Dr.Mariano José do Amaral em 1813, quando o corpo médico do Hospital causou muito boa  impressão ao famoso viajante Gustavo Beyer,  Doutor em Medicina pela Universidade de Lund e antigo Físico-Mor da Marinha de Guerra sueca.

Um Ato Oficial de 15 de novembro de 1831 extinguiu os Hospitais Gerais do Ministério da Guerra e criou os Hospitais Regimentais nos aquartelamentos dos Corpos de Tropa. Em fevereiro de 1830, o Sétimo Batalhão de Caçadores já ocupava as dependências do Hospital Militar.

A Botica Militar continuou  durante alguns anos funcionando no edifício, fornecendo, inclusive, medicamentos para a Santa Casa.

Criado por um aviso do Ministério da Guerra, de 08 de janeiro de 1825 e destinado a recolher meninas órfãs, filhas de militares que morreram na Indigência, o Seminário das Educandas de Nossa Senhora da Glória foi inaugurado em 08 de junho do mesmo ano, no Próprio Nacional denominado Chácara da Glória, junto ao rio Ipiranga. O Seminário recebia de Dom Pedro l, a subvenção anual de 600 mil réis. Em 1833,o Seminário ocupou o Próprio  Nacional constituído pelos terrenos e benfeitorias do antigo Hospital Militar onde ficou até 1870.

Em 1836, a Comissão de Visitas,representando os poderes municipais,fiscalizando o Seminário das Educandas, verificou que o estabelecimento de caridade tinha  trinta e uma moças, pensionistas e recolhidas, e que vivia na maior pobreza, inclusive sem nenhuma  iluminação durante a noite. Após desocupado pelo Seminário, o Próprio Nacional passou a ser Arrendado à particulares.

Em 1896, o Ministro da Guerra remeteu ao Ministro da Fazenda, parte do Relatório apresentado pelo Capitão de Estado Maior de Artilharia, a fim de restituírem ao Ministério da Guerra, os Próprios Nacionais da Rua do seminário, e negar ao Governo do estado de São Paulo o domínio sobre os referidos imóveis.

Os terrenos do Hospital sofreram modificações com o passar do tempo. Em 1819, foi  comprado um terreno contíguo.Em 1917, parte dos terrenos, foi vendida à Prefeitura para alargamento da Avenida São João.

Palácio dos Correios em outubro de 1922.
Palácio dos Correios em outubro de 1922.

Em 1918, em visita à Capital de São Paulo, o Presidente da República, Wenceslau Braz, manifestou sua má impressão ao constatar que a Agência dos Correios funcionava em um prédio de aluguel, em precaríssimas condições de higiene e de segurança.

A construção do então, denominado  Palácio dos Correios em São Paulo, foi aprovada pela Lei Orçamentária de 1921. A cerimônia de lançamento da Pedra fundamental foi realizada em sete de outubro de 1920, presentes Epitácio da Silva Pessoa, Presidente da República e muitos outros cidadãos de alto destaque político e social.

A construção foi executada pelo ilustre arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo e o belo Edifício Atual Inaugurado em 20 de outubro de 1922.

Interessante observar que a Fachada sofreu um recuo, em relação às construções antigas, no lado norte, para um melhor alinhamento com o trecho seguinte da Rua do Seminário. Também, é fato, de que o Ministério da Guerra ocupou durante alguns anos,o pavimento superior, para nele , Sediar a Quarta Circunscrição de Recrutamento.

O Edifício sofreu uma grande reforma interna, de julho a dezembro de 1950. Outra reforma  interna foi realizada de outubro de 1978 a março de 1979, tendo sido na mesma época realizada a limpeza externa do Edifício que passou a mostrar sua beleza original.No vasto salão de atendimento  ao público, três placas assinalam a Inauguração e as duas reformas do Edifício.

Vale destacar que o Capitão-Mor General: Governador Antonio Manoel de Mello Castro e Mendonça, construtor do Antigo Real Hospital Militar da Cidade de São Paulo, quem estabeleceu, por um Edital de 28 de julho de 1798, as primeiras linhas oficiais do Correio Público no Território Bandeirante.

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