A Primeira Fábrica de Chocolates do Brasil – A História da Sönksen

História de São Paulo

Quem vai ao mercado hoje em dia comprar chocolate mal sabe que esse alimento já foi um item de luxo para as famílias paulistanas. Para contar essa história, é preciso conhecer um pouco da história desse adorado doce na nossa cidade. A primeira fábrica de chocolates instalada em São Paulo e, também, no Brasil, foi a Sönksen, fundada em 1888. Ela funcionaria por quase cem anos e faria história por aqui. Durante mais de 80 anos, até a década de 70, a Sönksen foi a grande líder desse mercado que, desde seu início, dava indícios de ser promissor e de franco crescimento.

A empresa se notabilizou pela fabricação dos tradicionalíssimos ovos de Páscoa, coelhos de chocolate ou os deliciosos e populares “Urso Branco” (de chocolate branco) e “Urso Marrom” (de chocolate ao leite). Como famosíssimo slogan o “chocolate para famílias”, ela conquistava cada vez mais lares e, com uma visão de marketing muito à frente da sua época, desenvolvia produtos que iam além da Páscoa, vendendo doces para o Natal, Dia das Mães e Dia dos Namorados. Uma novidade para o fim do século XIX e começo do século XX.

Fábrica de chocolates Sönksen na rua Vergueiro em 1959.
Fábrica de chocolates Sönksen na rua Vergueiro em 1959.

Com seus chocolates voltados à classe A, que incluíam bombons de fondant e recheados com geleia, a Sönksen também era extremamente conhecida graças às suas balas com sabor mais azedo e de cevada. O doce cheiro que exalava das fábricas era uma tentação para os pedestres da região central de São Paulo.

O Começo do Fim E O Incêndio

Contudo, o grande reinado da Sönksen começou a acabar na década de 70. Logo no começo dessa importante época, a empresa foi colocada à venda e, no ano de 1977, ela pediu concordata.

Tudo isso acabou acontecendo devido à perda de feeling  de mercado da empresa. O fato de novas empresas surgirem e que os doces da Sönksen eram mais caros, sofisticados e, alguns dos produtos, serem vendidos apenas na empresa, acabaram levando à falência dela em 1983.

Nesse mesmo ano, mais especificamente no dia 5 de setembro, aconteceu um misterioso e gigante incêndio na fábrica, exatamente na hora em que ocorria o despejo. Na ocasião, vários empregados, irritadíssimos com os atrasos dos salários, tentaram impedir que as máquinas fossem retiradas.

O fogo, então, consumiu grande parte da fábrica e destruiu uma das mais antigas e conceituadas marcas da história de São Paulo. Atualmente, a marca ainda está gravada na memória dos paulistanos mais saudosos e, suas embalagens de lata, se tornaram itens de colecionadores.

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