Rafael Tobias de Aguiar – O Patrono da Rota

Uma das repartições da Polícia Militar de São Paulo carrega o nome de Tobias de Aguiar. Mas quem foi esse brigadeiro que empresta seu sobrenome para um dos grupos da polícia da cidade de São Paulo?

Patrono da Rota, o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar nasceu em outubro de 1794 na cidade de Sorocaba. Seus pais, Antônio Francisco de Aguiar e Gertrudes Eufrosina Aires, eram fazendeiros e possuíam uma riqueza considerável. No ano de 1798 foi inscrito pelo pai no Quadro de Regimento de Cavalaria da Vila. Aos treze anos veio para São Paulo para dar continuidade aos estudos de primeiras letras iniciados com os monges beneditinos, onde fez cursos de Latim, Retórica e Filosofia.

Com a conclusão de seus estudos, Tobias de Aguiar começou sua vida pública como representante da Comarca de Itu com 26 anos. Uma de suas primeiras grandes responsabilidades à frente da vida pública foi escolher os deputados brasileiros que seriam os nossos representantes nas Cortes Gerais e Constituintes de Lisboa.

Sua vocação para a vida pública se tornou límpida com o passar dos anos. Rafael ocupou diversos cargos executivos, como deputado provincial e deputado geral. Mais do que isso, ele era admirado pelos paulistas. Não foram raras as vezes em que Tobias de Aguiar investiu o próprio salário em melhorias nas escolas e em obras públicas de caridade. Toda sua conduta acabou rendendo o título de Brigadeiro Honorário do Império, tornando-o, então, conhecido como Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar.

No ano de 1822, ele formou um grupo de combatentes para lutar contra os rebeldes portugueses que eram contrários a independência do país e, anos depois, em 1824 foi eleito membro do Conselho da Província de São Paulo.

Além disso, também foi nomeado pelo imperador para o Conselho de Estado, órgão criado por D. Pedro após a dissolução da Assembleia Constituinte. O principal objetivo dessa autarquia era elaborar a primeira constituição do país.

Anos mais tarde, em 1831, ele foi declarado presidente da Província de São Paulo, cargo equivalente ao de governador, e foi ele um dos responsáveis pela criação da Guarda Municipal Permanente, que em 1891 virou Força Pública e, na década de 70, Polícia Militar.  Sua iniciativa foi de grande importância para a história do país, já que o batalhão participou de momentos decisivos da nossa história.

Durante seu mandato de 1835 defendeu frente a Assembléia Legislativa Provincial a continuidade das obras do Jardim Público,visando o embelezamento da cidade, que era desprovida de infraestrutura como calçamentos. No ano de 1841 o Brigadeiro averiguou a impossibilidade de adaptar a estrada do Velho Caminho do Mar aos veículos e, assim, abriu uma nova “picada”, a “estrada da Maioridade”.

O Brigadeiro Tobias de Aguiar também esteve envolvido com movimentos liberais e, graças às suas ideias, foi um dos chefes da Revolução Liberal de 1842. Na ocasião, se aliou ao seu colega de escola, o Padre Diego Antônio Feijó e combateu os conservadores que começavam a ganhar espaço no reinado de Dom Pedro II. Os revolucionários, em uma manobra bélica, mudaram a capital de São Paulo para Sorocaba e conseguiram formar um exército de 1.500 homens que recebeu o nome de Coluna Libertadora.

A grande ideia desse movimento era invadir São Paulo e depor o Barão de Monte Alegre, o então presidente da Província. Porém, o movimento acabou sufocado e buscou refúgio no Sul, junto aos rebeldes da Guerra dos Farrapos.

O Brigadeiro então combateu junto aos revoltosos e acabou preso, sendo levado para a Fortaleza de Laje, no Rio de Janeiro. Ele ficaria preso por pouco tempo, já que era o chefe mais popular do partido liberal paulista e considerado um dos homens mais populares da nação. Tanto que saiu da prisão, em 1844, e foi recebido por uma multidão na cidade de SP. Uma de suas frases mais marcantes para falar de sua dedicação à São Paulo era: “Servir São Paulo é, sobretudo, antes de tudo e acima de tudo, servir ao Brasil!”

O batalhão também lutou, em São Paulo, pelo estado, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que desafiou Getúlio Vargas e durou 85 dias. A fama de Tobias de Aguiar não ficou restrita ao círculo militar. Em 1842, casou-se com Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, antiga amante de dom Pedro I e tiveram quatro filhos.

Tobias de Aguiar morreu aos 63 anos, a bordo de um navio Piratininga, na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Seu corpo, embalsamado e trazido por Domitila para São Paulo, foi sepultado em 26 de outubro de 1857 no jazigo da Ordem Terceira da Igreja de São Francisco.

3 comentários em “Rafael Tobias de Aguiar – O Patrono da Rota

  • 24 de fevereiro de 2017 em 16:40
    Permalink

    bonita historia da rota,só deveria ser mais valorizada, e mais respeitada,antes vagabundo tinha medo hoje não tem mais.

    Resposta
  • 9 de novembro de 2018 em 18:17
    Permalink

    Eu penso assim, a Rota está instituição muito ótima tem que ser muito bem remunerada e muito bem armadas. E aí sim colocar nas ruas , todas as horas e em vários lugares de São Paulo. Aí eu queria ver vagabundos pé de chinelo e até os bandidos considerado os bons
    se iriam da sorte..

    Resposta
  • 24 de abril de 2020 em 22:59
    Permalink

    Tobias de Aguiar, Presidente da Província, fundou a Força Pública de São Paulo, hoje Polícia Militar. E como bom sorocabano, diferente, único, tropeiro, exigiu que todos os cavalos de sua Força fossem “pampas”. Daí, no Sul do Brasil, o cavalo malhado, pampa, ser chamado “Tobiano”. E assim é chamado no Uruguai e na Argentina e até nos livros sobre cavalos nos Estados Unidos, há menções sobre o “The Tobian Horse” — a comprovar a simplicidade tropeira — poucos sabem de onde veio esse estranho nome, mesmo no Sul do Brasil, ainda menos em terras estrangeiras! / (Dizem que quando Tobias foi capturado, em dezembro de 1842, montava um cavalo de pêlo pampa).

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *