Uma iniciativa importante em SP: o Serviço Antialcoolico Municipal

Todos sabemos que o alcoolismo é um problema muito sério. Ele atinge a pessoa que sofre da doença, as pessoas ao seu redor, família, amigos, enfim, todos que têm contato com aquele indivíduo. Nos dias de hoje, diversas iniciativas foram criadas para combater esse mal, mas esse é um combate histórico em São Paulo. No ano de 1952, mais especificamente no dia 13 de setembro, a prefeitura da cidade anunciou para a sua população que seria criado o chamado “Serviço Antialcoolico Municipal”.

Em uma matéria veiculada no Correio Paulistano, vários pontos merecem destaque, como por exemplo,a fala inicial do secretário (na grafia da época):

“Falando ontem à tarde aos jornalistas, informou-lhes o secretario municipal de Higiene, sr. Demostenes Martino, que na proxima semana será inaugurado o Serviço Antialcoolico, da Clinica Neuropsiquiatrica do Hospital Municipal.

–  Sua finalidade precipua – acrescentou o titular daquela pasta municipal – é a de congregar todos os que tenham o vicio, num edificio independente, onde poderão ser assistidos, com cuidados especiais e submetidos a regime disciplinar adequado, o que não seria possível num hospital policlinico sem a quebra de suas respectivas normas regulamentares”.

A entrevista, que está completa aqui, e, Martino, em vários momentos, fala de soluções para o problema e, chega até mesmo, a dizer que (na grafia da época): “como tem demonstrado a experiencia, a segregação pura e simples do alcoolatra, forçando-o a abstemia temporaria, não basta para o sucesso terapeutico, se bem que constitua medida preliminar necesaria”.

Em outro ponto, quando a entrevista avança, o secretário afirma que o Serviço Antialcoolico teria a capacidade para internar 30 pacientes, e o tratamento seria composto por:

“Se cuidará, primeiro, dos exames neuropsiquiátricos, incluindo sistematicamente os psicotestes e, eventualmente, quando necessário, o exame eletro-encefalografico, com o objetivo de classificar os pacientes em grupo, de acordo com suas personalidades. O tratamento psicoterapico será administrado conforme a capacidade compreensiva, com as reações e defeitos constitucionais dos componentes dos varios grupos previamente selecionados. Todos serão submetidos a medicação tonica e ao uso de drogas que sensibilizam o organismo, causando sensações desagradaveis e repugnantes, após ingestão de pequena quantidade de alcool”.

E encerra com essa importante fala:

“Em vez de labor-terapia usual, introduziremos, como novidade, a reabilitação do alcoolatra em seu proprio ambiente de trabalho. Desta maneira, os pacientes serão conduzidos por pessoal qualificado a seus trabalhos habituais, dai retornando ao Serviço Antialcoolico. Haverá, finalmente a assistência pós-hospitalar, com o paciente visitado periodicamente em sua casa pela assistente psiquiatrica e obrigado a comparecer, tambem, periodicamente ao ambulatório da clinica neuropsiquiátrica, até a obtenção de alta”.

Infelizmente, não encontrei mais nenhuma referência ao programa. Seria interessante ter algum relato sobre o funcionamento (ou não) dessa ideia que, para a época, parecia ser pioneira, principalmente pela tentativa de readequar o paciente à sua rotina.

Referências: http://memoria.bn.br/docreader/090972_10/12703

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