É Necessário Um Novo Olhar Para a População Idosa

Doenças degenerativas, principalmente em idosos, são cada vez mais comuns. De acordo com o National Institutes of Health, órgão norte-americano equivalente ao Ministério da Saúde, em 2015 havia 7,8% de pessoas acima de 65 anos no Brasil. As projeções para daqui 30 anos são de 21%. Com esse crescimento, a necessidade de cuidados diferenciados é uma realidade.
Um dos fatores que prejudicam a saúde do idoso é a falta de atividades que estimulam o cérebro. Muitos passam boa parte do tempo ociosos e com poucas oportunidades de convivência em grupo, gerando o chamado isolamento social.

Kalaik Haddad, 86 anos, lúcida, ex-secretária bilíngue, morava sozinha até – ela própria – decidir viver em uma instituição de longa permanência, o Residencial Santa Cruz. Numa festa para comemorar a entrada da Primavera em sua nova casa, o filho dela, Georlei Haddad, disse que, ao visitá-la em seu antigo apartamento, a encontrava muitas vezes sonolenta, sem ânimo e preocupada com a quantidade de más notícias que via pela televisão.

Depois que dona Lake, como é conhecida, se mudou, passou a ter convívio com outras pessoas da mesma faixa etária, fez amizades e hoje tem uma rotina que inclui aulas de hidroginástica, sessões de cinema, arteterapia e até um eventual jogo de cartas com outra residente. E ainda pode tratar de uma artrose no joelho com o fisioterapeuta da instituição, sem precisar se deslocar.

De acordo com Oberdã Moreira Filho, médico geriatra do Residencial, o isolamento social está associado à depressão, o que pode favorecer a perda funcional mais precoce. “A Organização Mundial da Saúde aponta a saúde como o bem-estar físico, psíquico, social e espiritual. Precisamos reconhecer o impacto na saúde em todas as suas dimensões, entender que, a despeito da resiliência de muitos idosos, as adaptações a diversas perdas sofridas durante a vida não deixam de ser impactantes para eles, especialmente naqueles com menor reserva cognitiva e história de depressão”, explica o profissional.

Vale lembrar que as famílias precisam participar ativamente da rotina deles, afinal de contas, a vida continua!

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