Uma estreia incomum: como chuvas e enchentes geraram o caos na primeira edição da Fuvest

A Fundação Universitária para o Vestibular, popularmente conhecida como Fuvest, foi criada no dia 20 de abril de 1976. Fundação sem fins lucrativos, ela é a responsável por organizar o vestibular mais concorrido do Brasil: o que oferece acesso aos cursos da USP.

Já naquela época, o Conselho Curador foi o responsável por estabelecer os alicerces das provas que conhecemos hoje: uma primeira fase de provas objetivas e uma segunda fase da chamada aptidão e redação.

Para o primeiro vestibular de sua história, a Fuvest de 1977 recebeu 92.461 candidatos, o que levou 4.516 pessoas a trabalharem em todo o processo seletivo. Segundo um especial do Jornal da Usp, na primeira fase do vestibular de 1977, que aconteceu em dezembro de 1976, uma chuva devastadora causou enchentes e impediu o funcionamento do Metrô. Tudo isso, claro, deixou o trânsito caótico por toda São Paulo.

O exame, que estava marcado para as 8h, atrasou muito. Existem relatos que, alguns candidatos chegaram até a desmaiar de fome.

O professor, José Coelho Sobrinho, coordenador de comunicação da Fuvest, relatou em seu livro o seguinte: “Recordo-me de que o diretor do colégio, onde eu era coordenador da prova, procurou uma bomboniere, comprou todo o estoque de lanches e guloseimas existentes para distribuir aos candidatos presentes”. Esse registro está na obra “Fuvest 30 anos”.

No 1º vestibular da Fuvest, enchente obrigou que prova fosse aplicada em hangar do Campo de Marte

Segunda fase

Não menos problemática que a primeira fase, a segunda fase do vestibular também sofreu com enchentes. Ela aconteceu em janeiro de 1977 e, devido ao isolamento de vários bairros, helicópteros com as provas foram deslocados para que os estudantes pudessem realiza-las.

Vale o registro de que, inicialmente, o diretor do cursinho Objetivo, João Carlos Di Gênio, tentou alugar helicópteros para levar os alunos de vários pontos da cidade para a Cidade Universitária, Faculdade Oswaldo Cruz e para a PUC. Pelo rádio, em várias emissoras, os estudantes eram orientados a se dirigir para o Campo de Marte ou para o Clube Atlético Juventus.

Segundo relatos do Estadão, diversos estudantes começaram a disputar de maneira “histérica” uma vaga nos helicópteros para tentar chegar ao local da prova. Foi então que, José Goldemberg, coordenador da prova, aceitou a ideia de realizar a prova em dois hangares do Campo de Marte.

Matéria do Estadão sobre as confusões da prova de 1977

Ainda segundo relatos, esses jovens foram levados em carros de bombeiros e fizeram a prova todos molhados. Outra curiosidade fica por conta de que, aquela prova, não teve limite de horário. Os candidatos chegavam às 15h, 16h e faziam a prova sem nenhum impeditivo. Tudo por causa da chuva que atingiu a cidade.

Após esse incidente, a prova foi mudada para o período da tarde, para tentar evitar problemas dessa natureza.

Curiosidades

– Foram tantos candidatos que acabaram fazendo a prova nos hangares do Campo de Marte que não existiam cópias dos vestibulares para todos. A solução? Usar a máquina de xerox de uma empresa que operava por lá, a Motortec, para copiar novas provas;

– A folha de respostas também foi improvisada e xerocada;

– Os últimos candidatos, além de fazer a prova, tiveram que conviver com o barulho de mecânicos arrumando um avião que precisava decolar ainda naquele dia. Imagina fazer a prova com barulhos de ferramentas de avião no ouvido?;

– Mesmo para quem entrou atrasado, o tempo de resolução era o mesmo: 16h45, sendo o tempo contado desde às 8h. Essa decisão acabou motivando vários pedidos de anulação da prova, o que não aconteceu.

Referências: https://vestibular.brasilescola.uol.com.br/fuvest/o-comeco-fuvest.htm

https://jornal.usp.br/especial/fuvest/

http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL969761-5604,00-FUVEST+AMPLIA+CORRECAO+ONLINE+PARA+MAIS+DUAS+DISCIPLINAS+DA+FASE.html

https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,maior-vestibular-do-pais-estreou-sob-tempestade,9286,0.htm

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