O Bairro Que Nasceu Ao Redor do Matadouro – A Vila Mariana

História de São Paulo Vila Mariana

Um dos bairros mais tradicionais da zona sul de São Paulo possui uma história um tanto quanto “diferente”.

O bairro tem sua história totalmente atrelada ao chamado “Matadouro Municipal do Bairro de Vila Mariana”, criado para sanar as necessidades de carne da população de São Paulo. A região foi escolhida por se tratar de um lugar longe do centro da cidade.

Diz a lenda que o antigo matadouro municipal, que ficava no Rio Itororó, hoje avenida 23 de maio, chegava a ficar vermelho e contaminado por sangue e pedaço de animais. Tal situação levou o governo a pensar em uma saída que atendesse a todas as necessidades.

Matadouro Vila Mariana
Matadouro Vila Mariana

Para deixar mais claro ainda que o problema precisava ser resolvido o quanto antes, um médico chamado Alfredo Ellis, através de um ofício, fez um longo estudo sobre a contaminação que o Matadouro do centro da cidade estava fazendo nos rios do centro da cidade. E a solução encontrada foi criar um novo “órgão” distante do centro de São Paulo.

E toda a preparação da região passou pelas mãos de Alberto Kuhlmann, um engenheiro alemão que auxiliou na construção do edifício do matadouro e na consolidação de uma antiga ferrovia que auxiliasse no transporte dos animais até lá.

O gado, que chegava pela ferrovia, ficava pastando onde hoje fica o Parque do Ibirapuera e, dessa forma, acabava não incomodando a população “rica” da cidade. A parada para o matadouro ficou conhecida como Mariana Mato Grosso, nome de sua esposa, que acabou batizando a comunidade e eternizando seu nome na história da cidade.

Inaugurado e com suas atividades iniciadas no ano de 1887, o matadouro ficava no largo Senador Raul Cardoso e produzia 14 mil quilos diários de carne bovina para as 70 mil pessoas que compunham a população de São Paulo. O matadouro desempenharia sua macabra função até o ano de 1927.

Após a parada dessa atividade, o edifício teria várias outras utilidades que acabariam interferindo em sua estrutura arquitetônica. Décadas depois o prédio acabaria se tornando um grande acervo cinematográfico da cidade. O local, que acabou tombado como patrimônio histórico da cidade e se tornou a Cinemateca Brasileira.O prédio, obviamente, passou por grandes modificações para que conseguisse ser adaptado e pudesse receber pessoas e salas de cinema.

Cinemateca Brasileira
Cinemateca Brasileira

4 thoughts on “O Bairro Que Nasceu Ao Redor do Matadouro – A Vila Mariana

  1. Senhores(as)
    O texto sobre o antigo “Matadouro de São Paulo” é muito interessante, instrutivo e complementa informações que tenho da região por estudos particulares meus. Ouvidos pessoalmente de relatos de idosos que já se foram e comigo deixaram um pouco da história do local.
    Apenas faço uma observação sobre a adjetivação “população rica da cidade”. Porque esse grifo? Alimentava a população rica , pobre e mais ou menos. Ali nesse tempo também pastavam cavalos que atrelados nas madrugadas levavam o pão e o leite matinal a TODA população daquela parte da cidade. Qual o problema em ser rico? Porque o tom sarcástico?
    Acrescento também a passagem “função macabra”. Se o autor não sabe essa função existe até hoje e está presente no seu pratinho todos os dias.
    Desculpem o comentário mas essa atual birra de classes no país JÁ ENCHEU.
    Boas festas a todos e parabéns pelo trabalho.
    Abraços

    1. Sr. Norberto Correia, pelo visto você deve ser uma pessoa instruída, certo?
      Não mora, nem nunca morou, em favela.
      Esse negócio de “birra” de classes, não é coisa de brasileiro nem mimimi. O nome disso é “Consciência de classe”.
      Provavelmente você sabe disso, mas ignora esse tipo de ideia exatamente por pertencer a uma classe mais privilegiada.
      Sendo assim, a resposta a sua pergunta é simples: o problema não é ser rico, isso que está difícil de colocar na cabeça das pessoas, o problema é “a que custo ser rico?”. É uma questão de ética e de atitude. Enriquecer as custas da miséria alheia é o problema. Enriquecer trabalhando contra a classe menos favorecida é errado.
      O que encheu o saco, na verdade, é rico se magoando quando se fala em consciência de classe. Sabe por quê? Porque alguma coisa ele deve ter a esconder.
      Por fim, você não entendeu o asterisco em “ricos”. Por favor, leia novamente.
      Abraço.

  2. A Vila Mariana tem muitas histórias interessantes. Seria importante ter reuniões periódicas na biblioteca Viriato Correa ou na Cinemateca de pessoas interessadas em contribuir com fotos e documentos para um melhor conhecimento do passado. Considero importante o engajamento da nossa rede escolar estimular a pesquisa da sua evolução.

  3. bom dia……adorei a reportagem……..nasci em 1951 e morei alguns anos no Largo do Matadouro…… Muitas recordacoes…………indlusive dis bondinhos que passavam por ai.

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