A história (do que sobrou) dos esquilos do Ipiranga

Dois dos personagens mais gentis, engraçados e tradicionais da Walt Disney são os dois esquilos, o Tico e o Teco. No bairro do Ipiranga, mais especificamente na Rua do Manifesto, os dois já estiveram juntos em uma praça em frente ao famoso clube Ypiranga.

Tico e Teco juntos em uma imagem de 2014. Via Google Street View.

Entretanto, com o passar do tempo, o Tico, com o nariz preto, foi vandalizado e removido do local. O outro esquilo de nariz vermelho, o Teco, sobrevivia bravamente ao tempo, trânsito e a todos que passavam por ali.

O bravo Teco sobrevivendo à loucura de São Paulo! Crédito: Ipiranga Feelings

Segundo uma resposta dada ao site São Paulo Antiga em 2019, quem instalou a dupla ali foram os donos de uma antiga banca de jornais. E a manutenção ficava à cargo dos moradores e da população em geral.

Mas o bravo esquilo não sobreviveu ao ano de 2020 e ao carnaval. Passando de carro por lá neste domingo, só os pés do esquilo sobraram, como podemos ver abaixo.

Os pés do esquilo destruído. Crédito: Abrahão de Oliveira
Os pés do esquilo destruído. Crédito: Abrahão de Oliveira

O Teco esteve ali por oito anos, praticamente. Segundo uma matéria do site Ipiranga Feelings, vários pequenos detalhes valem ser lembrados. Transcrevo aqui uma parte:

“De 2013 a fevereiro de 2018, a vizinha Marli Elias e o dono da banca de jornal chamada Família Ypiranga – que ocupou o mesmo espaço da Banca da Zezé neste trecho da calçada -, por livre e espontânea vontade colocaram vasos, bancos e itens decorativos em seu entorno, tornando o ambiente mais agradável para as pessoas se acomodarem.

Certo dia, na calada da noite, Tico foi destruído e ficou sem cabeça. Marli tentou buscar apoio para conseguir reerguer o adorável mascote, mas sem sucesso, o que a levou a remover a estátua. O Clube Ypiranga nunca quis se envolver na restauração e nem na manutenção do canteiro, o que é uma pena. “Eles nunca ajudaram com nada, nem para regar as plantas, sendo que esse poderia ser um espaço com o nome deles. Mas enquanto eu puder, continuarei cuidando daqui”.

Tempo depois, Teco também foi alvo de vandalismo, mas uma boa alma surgiu para salvá-lo. “O Douglas estava passando por aqui de moto e disse que poderia ajudar a consertá-lo“.

Depois de encomendar uma estátua que retrata Meggie, sua falecida melhor amiga da raça Boxer, Dona Marli se animou. Tratou de colocar um doberman preto no canteiro, feito a partir do gesso, chamando seu fiel escudeiro Douglas para finalizar o serviço. “Agora eu quero ver quem é que vai mexer com o Teco!”, diverte-se ela, já anunciando o desejo de colocar outra estátua por ali em breve.

As instalações lúdicas, que lembram antigas pracinhas do interior, fixam na nossa memória afetiva, nos conectam com o entorno, unem os vizinhos e trazem leveza para os dias caóticos da capital. Assim seguimos, junto com o Teco, sobrevivendo.

Crédito: Ipiranga Feelings

Resta agora torcer para que alguém o recoloque no lugar. Uma pena conviver com o vandalismo e a falta de senso das pessoas.

Referências: https://ipirangafeelings.com.br/2019/06/24/as-curiosas-estatuas-da-rua-do-manifesto-e-um-novo-amigo-para-teco/

Um comentário em “A história (do que sobrou) dos esquilos do Ipiranga

  • 18 de março de 2020 em 12:21
    Permalink

    Olá!

    Obrigada por nos mencionar na matéria. Nosso trabalho é autoral e direto da fonte, então os créditos significam muito para nós!
    Infelizmente a estátua foi destruída por um adulto, um homem de 47-49 anos, que foi filmado no ato. Bizarro, né?

    Abraços,
    Equipe Ipiranga Feelings

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *