O Defensor da Revolução – Firmiano Morais Pinto, O Quinto Prefeito de São Paulo

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O quinto prefeito da cidade de São Paulo é oriundo da cidade de Itu e nasceu no dia 4 de maio de 1861. Firmiano Morais Pinto era o caçula de 11 irmãos e filho do alferes Antonio José Pinto e de Francisca Emilia de Morais. Era filho de famílias tradicionais da cidade de Itu e de Porto Feliz.

Teve como um de seus mestres, durante a educação básica, o famoso Padre Chico. No ano de 1882, formou-se pela Faculdade de Direito da Cidade de São Paulo.  Sua vida profissional teve início exercendo o cargo de Juiz Municipal da Cidade de Limeira.

Prefeito Firmiano de Moraes Pinto
Prefeito Firmiano Morais Pinto

Sua legislatura, inclusive, ficou marcada pelo fato de haver sido o primeiro juiz do Brasil a colocar em execução a Lei Áurea, libertando todos os escravos do município. Anos mais tarde, após a proclamação da República, foi atraído para a vida política do país devido a sua forte convicção republicana.

Além disso, participu da Intendência Municipal da Cidade de São Paulo. As Intendências tiveram participação no período de 1890 a 1898, funcionando como braço executivo da Câmara Municipal de São Paulo, e embrião do futuro cargo de prefeito até então inexistente.

Firmiano também foi Secretário da Agricultura, Secretário da Fazenda do Estado e eleito Deputado Federal por São Paulo.

Convidado diretamente por Washington Luís Pereira de Souza, para ser seu sucessor na Prefeitura da Capital, foi eleito por esmagadora maioria exercendo como 5º Prefeito da República o mais alto cargo municipal de 1920 a 1926.

Ao assumir a prefeitura de São Paulo, a população urbana era de 579.033 habitantes e, deve-se a Firmiano Morais o incremento a urbanização da cidade.

Neste período já existiam fidalgas residências nos bairros de Campos Elíseos como a do Conde Prates, e em Higienópolis como a do conselheiro Antonio da Silva Prado chamada “Vila Veridiana” não ficando atrás do palacete do Conselheiro Álvares Penteado, a “ Vila Penteado”.

Foi ele quem desenvolveu a área urbanizada da Penha, que se limitava a colina, através do loteamento de antigas propriedades rurais que deram origem a Vilas Esperança, Matilde, Guilhermina, Guaiuva, etc.

Em uma singela homenagem a seu amigo e, um dos mais prestigiados engenheiro arquiteto da história,  deu o nome de Praça Ramos de Azevedo ao largo da Esplanada do municipal, devendo-se ainda ele, com apoio a colônia italiana, o monumento da Carlos Gomes, erigido ao lado do Theatro, esculpido pelo genovês Luigi Brizzolara e fundido no Liceu de Artes e Ofícios, com exceção das apresentações da Música e Poesia que são de mármore Carrara.

O Theatro, o monumento e o ajardinamento do Parque do Anhangabaú faziam parte do projeto paisagístico elaborado por Bouvard, em 1911. Em sua gestão, foi colocado a disposição da população a musicalidade do famoso órgão da Igreja de São Bento.

Outro marco de sua administração a frente do Município é a finalização do Parque Dom Pedro II , cujas as obras forma iniciadas em 1918 e destinada a abrigar o Parque das Indústrias. Tal projeto, que fora paralisado em virtude da epidemia da gripe que assolou a cidade, foi retomado e concluído em sua gestão.

Foi ele quem também  autorizou a compra do terreno pertencente aos padres passionistas para construir o Cemitério São Paulo.  No ano de 1921 estimulou o loteamento do Jardim Europa, que de início, chamava-se “Chácara Japão” e igualmente a Vila Olímpia pelo Coronel Pinto Ferraz como desdobramento da Chácara Itaim , que pertenceu ao general Couto de Magalhães.

Entre suas grandes obras estruturais, está a canalização do Rio Tamanduateí através de vias como a Avenida do Estado e a o início do projeto da construção da Avenida Nove de Julho.

E suas contribuições não param por aí. Firmiano foi  o responsável pela demolição do famoso “Quarteirão dos Quatro Cantos” para abrigar a Praça que leva o nome do título de José Bonifácio de Andrada e Silva, a Praça do Patriarca.

Outra de suas contribuições: a Praça do Patriarca.
Outra de suas contribuições: a Praça do Patriarca.

Ainda no centro, criou e desenvolveu o projeto da construção do Mercado Municipal no Parque Dom Pedro II, em substituição ao antigo projeto não desenvolvido para construir o entreposto na várzea do Carmo. Como Prefeito da Cidade de São Paulo , incentivou colaborou com a Semana de Arte Moderna, cedendo o Theatro Municipal para que o evento se realizasse.

De todas suas atuações como Prefeito de São Paulo a que mais se destacou foi como Herói da Revolução de 1924 sendo único governante a permanecer em seu posto na cidade invadida pelos revoltosos liderados pelo General Isidoro Lopes que, mais tarde, formaria a Coluna Prestes.

Trincheira em uma rua paulistana durante a Revolta de 24.
Trincheira em uma rua paulistana durante a Revolta de 24.

Durante os 23 dias que durou a Revolução, ele defendeu a Cidade e a população de modo implacável, atuando como líder na formação de inúmeros movimentos e também na estruturação de várias Comissões de Emergência (Abastecimento, Saúde, Transportes, etc) .

Apoiado pela solidariedade de toda a população e com a doação de recursos das figuras mais ilustres e poderosas da Cidade, conseguiu apesar dos prejuízos, manter a ordem e a tranqüilidade da Cidade.

Ao final da revolução foi acusado pelo Governo Federal de cúmplice do General Isidoro por sua bravura de enfrentá-lo frente a frente de maneira civilizada e corajosa.

Firmiano Morais Pinto defendeu-se com grande brilho e seu recurso ao Supremo Tribunal. Foi julgado como ação benemérita por Sentença do Supremo Tribunal. Foi este o seu mais alto prêmio e o real reconhecimento sendo eleito Deputado Federal para o período de 1926 até 1930.

Em seu governo ainda teve dissabores com os rumorosos casos do asfalto e da telefônica do qual mesmo doente e abatido viajou dia e noite para chegar em tempo a reunião de opor-se ao veto a um ato que lhe pareceu lesivo aos interesses dos munícipes

Em sua gestão . foi comemorado condignamente o Primeiro Centenário da Independência do Brasil, sendo anfitrião das espetaculares festas comemorativas recebendo o Presidente da República, Epitácio Pessoa e o Rei Alberto, da Bélgica, acompanhado de sua mulher a Rainha Elizabeth, ente outras pessoas ilustres. Para tal centralizou as obras urbanísticas na inauguração do Movimento do Ipiranga, de autoria do escultor Ettore Ximenor.

Firmiano Morais Pinto também era fazendeiro possuindo propriedades rurais no interior paulista na região de Ibaté e sendo amante das atividades hípicas , apoiou a construção da Sociedade Hípica Paulista, no antigo Sitio Capão, na quadra formada pelas ruas Teodoro Sampaio, Pedroso de Moraes, Arthur de Azevedo e Mourato Coelho.

Ingressou no quadro associativo do Jockey Club de São Paulo e, pouco depois de sua fundação, transformou-se em grande criador e proprietário. Também foi diretor e presidente do Clube de 1922 a 1925, portanto acumulando-o com o de Prefeito da Capital.

Era um freqüentador assíduo do Hipódromo da Mooca, onde era possível encontrá-lo junto ao seu amigo inseparável , o ex-presidente da República, Washington Luís, ambos sempre ao lado de suas mulheres que se destacavam por sua elegância.

Depois da sua morte, com 77 anos, a Cidade de São Paulo ofereceu o tributo ao benemérito Prefeito e ao também honrado chefe de Família com a herma de 3 metros executada pelo laureado escultor João Baptista Ferri.

Tamanha é gratidão da Cidade de São Paulo por todos os seus feitos que o homenageou com uma festa comemoração pelos seus 100 anos, em 4 de Maio de 1961, imortalizando-o e oferecendo-lhe a herma executada pelo artista italiano Luiz Morrone erigida na tradicional Praça Buenos Aires, no bairro de Higienópolis.

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