Uma Ideia de Prestes Maia: O Plano de Avenidas da Cidade de São Paulo

Continuando na perspectiva de mudar a infraestrutura de transportes da cidade, após a derrocada do Plano da Light, o engenheiro Francisco Prestes Maia elaborou um grande estudo que entraria para a história de São Paulo. Com o nome original de “Plano de Avenidas para a Cidade de São Paulo”, mas mais conhecido como Plano de Avenidas, foi um livro publicado pela editora Melhoramentos, no ano de 1930, quando o engenheiro ainda era da Secretaria de Obras e Viação da Prefeitura de São Paulo.

Francisco Prestes Maia
Francisco Prestes Maia

Graças a essa obra, Prestes Maia recebeu um prêmio no 4º Congresso Pan-Americano de Arquitetos no Rio de Janeiro. O estudo foi elaborado e organizado em nove capítulos e um apêndice especial. A intenção do autor era apresentar diversas sugestões para auxiliar a cidade a crescer e “reservar” espaços para futuros empreendimentos na cidade.

A Obra

Esquema Teórico do Plano de Avenidas de Prestes Maia.
Esquema Teórico do Plano de Avenidas de Prestes Maia.

Logo no primeiro capítulo, chamado apenas de “Introdução”, Prestes Maia explica os objetivos e a ideia de abrangência do plano. O segundo e terceiro capítulos, que atendem por “Desapropriações” e “Recursos Financeiros”, respectivamente, trata dos meios legais para que a Prefeitura possa arrumar dinheiro e realizar as obras viárias propostas no estudo.

A partir de então, a ideia central do plano vem à tona. Prestes Maia tinha em mente que a estrutura que São Paulo apresentava era insuficiente para o número de paulistanos da época e, com certeza, não daria conta no caso da cidade crescer espetacularmente.

Ele propôs então que a cidade se organizasse com um sistema radial perimetral e apresentou suas ideias e conceitos em três capítulos diferentes. “O Perímetro de Irradiação”, primeiro desses capítulos, traz à tona a proposta de um anel viário em torno do centro da cidade.

Dessa forma, segundo sua teoria, o problema dos congestionamentos na região central estaria resolvido e, ao mesmo tempo, aconteceria a expansão do centro que envolveria seu perímetro e um sistema de avenidas e viadutos. Desta forma transpunha os obstáculos físicos para a expansão do centro, de um lado o Vale do Anhangabaú e, do outro, a Várzea do Carmo.

No próximo ponto do livro, um capítulo chamado de “Radiaes”, Maia propõe um sistema de vias traçadas a partir do perímetro de irradiação em direção a todos os quadrantes da cidade e, obviamente, estabelecendo ligações entre as três perimetrais paulistanas.

A proposta do segundo e terceiro sistema de vias perimetrais é descrito no capítulo “Perimetraes Tietê”. A segunda perimetral era traçada sobre o leito das linhas férreas e a terceira, chamada de sistema de parkways e era composta pelas marginais Tietê e Pinheiros, seguindo pelas cabeceiras do Ipiranga e descendo o vale do Tamanduateí.

A descrição da proposta de sistema de transportes é o tema do sétimo e oitavo capítulos do Plano de Avenidas. O primeiro tópico abordado é chamdo de “Systema de Transportes 1ª Parte Estradas de Ferro”, que tem por objetivo propor a relocação das vias férreas que atravessavam a cidade de forma a adaptá-las ao novo traçado viário proposto.

No capítulo “Systema de Transportes 2ª Parte – Metropolitano, Tramways Omnibus etc..”descreve experiências de outros países e articula argumentos contra a renovação do contrato de viação feita pela companhia canadense Light & Power que detinha o monopólio da concessão de transportes coletivos em São Paulo. A renovação do contrato ameaçava a execução das obras viárias propostas no plano.

A extensão da cidade é o tema do nono capítulo com informações sobre a legislação urbanística vigente. O Apêndice ao plano é dividido em duas partes “Parques”, onde Prestes Maia aborda os novos e grandes parques propostos para São Paulo, e “Ponte Grande” quando apresenta alguns detalhes de projeto e construção para esta ponte às margens do Tietê.

Importante destacar que o Plano de Avenidas tem uma concepção de cidade implícita no projeto de sistema radial perimetral, na preferência por um sistema de transporte em superfície e na proposta de expansão do centro histórico.

Este plano orientou a atuação de dois prefeitos de São Paulo Fabio Prado e o próprio Prestes Maia, no período entre 1934 e 1945, quanto à remodelação e extensão do sistema viário da cidade. Esta característica de um plano que foi executado o distingue dos outros planos elaborados para São Paulo.

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