Inezita Barroso – Uma Singela Homenagem à Dama da Música de Raiz Brasileira

Faleceu no último domingo, dia Internacional da Mulher, a grande dama da música de raiz do Brasil. Ignez Magdalena Aranha de Lima, mais conhecida como Inezita Barroso, nasceu no dia 4 de março de 1925, na Barra Funda, em São Paulo.

Filha de uma família tradicional paulistana, Ignez passou sua infância cercada pelas mais diversas influências musicais. Contudo, foi na fazenda de sua família, no interior do estado, que sua verdadeira vocação veio à tona: o amor pela música caipira e a dedicação às tradições populares brasileiras.

Formada no curso de Biblioteconomia da USP, Inezita foi uma das grandes pesquisadoras da música caipira nacional. Por contra própria, ela visitou o interior do país e resgatou diversas histórias populares e canções diversas. Graças a esse trabalho minucioso, ela foi convidada a dar aulas e ensinar sobre o folclore brasileiro em uma universidade de São Paulo. Anos mais tarde, em reconhecimento a toda sua trajetória, ela recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore pela Universidade de Lisboa.

A Artista Inezita Barroso

Seu nome artístico, Inezita Barroso, foi concebido aos 25 anos, quando ela juntou seu apelido de infância com o sobrenome do marido. Como artista, ela atuou como cantora, instrumentista, folclorista, atriz e, também, como professora. Seu interesse pelo canto e pelo violão começou aos sete anos, migrando depois para a viola e o piano.

Sua primeira gravação em disco foi realizada no ano de 1951 pela gravadora Sínter. A partir daí, ela não pararia mais e, durante sua vida, Inezita gravou cerca de 100 discos. No ano de 2013, para comemorar seus 60 anos de carreira, Inezita gravou o DVD Inezita Barroso – Cabocla Eu sou.

Inezita-Barroso-no-Viola-Minha-Viola

Ela foi uma das cantoras mais premiadas do Brasil, ostentando em seu currículo mais de 200 prêmios, entre eles o Prêmio Sharp de Música na categoria Melhor Cantora Regional, o Grande Prêmio do Júri do Prêmio Movimento de Música, em homenagem aos 47 anos de carreira, e o Prêmio Roquette Pinto como Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira.

A coroação de todo o esforço veio com o Grande Prêmio da Crítica da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), em 2010, e com a escolha de seu nome para ocupar uma das cadeiras da Academia Paulista de Letras, em 2014. Inezita seria empossada oficialmente em meados de março deste ano.

No ano de 2009, Inezita recebeu do governo do Estado de São Paulo o título vitalício de Grande Oficial, pelo seu compromisso e dedicação às raízes culturais do Brasil e por sua grande contribuição para o entretenimento e ensinamento da nação.

Na televisão, sua trajetória foi iniciada junto a TV Record, onde foi a primeira cantora contratada pela emissora. Depois, migrou para a TV Tupi e outros veículos até chegar à TV Cultura, para comandar o Viola, Minha Viola, o mais antigo programa de música da TV brasileira no ar.

Inezita Barroso gravou mais de 1500 edições do Viola, Minha Viola, voltado a modas de viola, música de raiz, lendas e danças folclóricas. Tendo se tornado um verdadeiro centro da tradicional música de raiz, ao longo dos anos, o palco do Viola recebeu os maiores astros do gênero, como Tonico e Tinoco; João Pacífico; As Galvão; Pedro Bento e Zé da Estrada; Cascatinha e Inhana; Milionário e José Rico; Tião Carreiro e Pardinho; Almir Sater; Daniel; Chitãozinho & Xororó; Renato Teixeira: Sergio Reis; entre muitos outros célebres do cenário musical caipira.

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