A Liga de Combate a Sífilis em São Paulo

Na esteira da Gripe Espanhola, um serviço público de saúde foi inaugurado. Os alunos da Santa Casa criaram a “Liga de Combate a Sífilis” que oferecia tratamento gratuito à Infecção Sexualmente Transmissível (IST). Segundo a revista de Medicina de 1941, a Liga começou a funcionar em 8 de setembro de 1918, na própria Santa Casa. Os atendimentos ficavam sob a supervisão do Dr. Arthur Neiva.

Dois anos depois de atendimentos gratuitos à população, em 20 de agosto de 1920, o novo diretor do Serviço Sanitário fechou os postos que os estudantes haviam fundado. Inconformados com essa decisão, eles decidiram reabrir o serviço por sua própria conta.

Um dos cartazes da Liga

Coube ao professor Aguiar Pupo a direção científica do projeto que foi reaberto nove dias após seu fechamento. Até março de 1941, eram dois postos da Liga de Combate à Sifílis abertos e funcionais na cidade. Um na Santa Casa de Misericórdia, que ficou conhecido como Posto Arnaldo Vieira de Carvalho, e outro no Instituto Clemente Ferreira. 

Um dos postos de atendimento da Liga de Combate à Sífilis

Importante dizer que o documento que consultamos traz algumas especificidades médicas bastante curiosas. Separo esse trecho: 

“Para as consultas os doentes devem aparecer aos domingos pela manhã no Posto Arnaldo Vieira de Carvalho, onde são examinados e fichados. O doente recebe u m cartão onde é indicada a série a ser aplicada, sendo em seguida enviado ao posto cujo horário mais lhe convier. A s reações de Wassermann para a elucidação diagnostica e controle de tratamento são feitas no Laboratório Central da Santa Casa, com a colaboração do Dr. H . Cerruti, docente livre de Clínica Dermatológica da Universidade.

A Liga dispõe de recursos técnicos para a pesquisa ultramicroscópica do Treponema. O serviço de injeções de arsenobenzois é feito exclusivamente no Posto Arnaldo Vieira de Carvalho aos domingos pela manhã. Antes das injeções de arsenobenzois verifica-se sistematicamente a presença ou não de urobilinogenio e de albumina na urina. O registro das doses aplicadas a cada doente é feito nu m livro especial. dando-se ao doente um a ficha metálica onde se acha gravada a dose a ser aplicada? As injeções de salicilato básico de mercúrio são feitas só aos domingos e a série compõe-se de seis injeções.

Um dos cartazes da Liga

As injeções de salicilato básico de bismuto são feitas bissemanalmente. A s restantes injeções são feitas três vezes por semana (iodeto de sódio, cianeto de mercúrio, biiodeto de mercúrio). No fim de cada série de injeções, além de se assinalar no dorso do cartão que o doente traz consigo, lança-se a data, número de matrícula, nome do doente e série efetuada numa folha especial de onde esses dados serão passados para a ficha de matricula de cada paciente.

As soluções para as injeções são feitas pela própria Liga de Combate à Sífilis na farmácia da Santa Casa com material que a própria Liga fornece.”.

Vale o registro também de que, desde 29 de Agosto de 1920, até 31 de Dezembro de 1939, quando o serviço esteve ativo, foram matriculados na Liga de Combate à Sífilis  21.717 pacientes com sífilis, assim distribuídos: 5,80% com lesões primárias, 17,04% com lesões secundárias (portanto, 22,84% com sífilis recente), 11,91% com lesões terciárias, 1,32% com sífilis nervosa e 63,93% com sífilis latente (inclue-se nessa porcentagem as formas pseudolatentes).

Um dos cartazes da Liga

O processo de tratamento oferecido pela Liga chegava a durar 18 meses na sífilis primária até à negativação sorológica nas outras formas. Por fim, a própria liga chegou a informar que o poder público oferecia pouco recurso à iniciativa.

O que é a sífilis?

Apenas para registro, a sífilis, ou lues, é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Pode também ser transmitida verticalmente, da mãe para o feto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado. Se não for tratada precocemente, pode comprometer vários órgãos como olhos, pele, ossos, coração, cérebro e sistema nervoso.

O período de incubação, em média, é de três semanas, mas pode variar de dez a 90 dias.

A enfermidade se manifesta em três estágios diferentes: sífilis primária, secundária e terciária. Nos dois primeiros, os sintomas são mais evidentes e o risco de transmissão é maior. Depois, há um período praticamente assintomático, em que a bactéria fica latente no organismo, mas a doença retorna com agressividade acompanhada de complicações graves, causando cegueira, paralisia, doença cardíaca, transtornos mentais e até a morte.

Diagnóstico de sífilis

Nas fases iniciais, o diagnóstico pode ser confirmado pela reconhecimento da bactéria no exame de sangue ou nas amostras de material retiradas das lesões. Na fase avançada, é necessário pedir um exame de líquor para verificar se o sistema nervoso não foi afetado.

Transmissão da sífilis

A sífilis é transmitida por meio das relações sexuais desprotegidas, das transfusões de sangue e da mãe para o filho em qualquer fase da gestação ou no momento do parto (sífilis congênita).

Diagnóstico de sífilis

Nas fases iniciais, o diagnóstico pode ser confirmado pela reconhecimento da bactéria no exame de sangue ou nas amostras de material retiradas das lesões. Na fase avançada, é necessário pedir um exame de líquor para verificar se o sistema nervoso não foi afetado.

Transmissão da sífilis

A sífilis é transmitida por meio das relações sexuais desprotegidas, das transfusões de sangue e da mãe para o filho em qualquer fase da gestação ou no momento do parto (sífilis congênita).

Prevenção da sífilis

O uso de preservativos durante as relações sexuais é a maneira mais segura de prevenir a doença.

Referência: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sifilis/

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