A obra de arte do Metrô: quando o tatuzão passou sob o Centro Histórico

O ato de passar pelas catracas da Linha 1- Azul do Metrô, descer as escadas rolantes e pegar sentido Tucuruvi é um ato diário comum a milhares (talvez milhões) de moradores de São Paulo. Ouvir a voz alertando sobre cada estação, passando pelo Centro Histórico e descer em nosso destino também é automático.

A dificuldade em fazer com que uma linha tão robusta e tão demandada passasse pelo Centro Histórico de São Paulo sem “grandes” perdas (já falamos do Mendes Caldeira e do Santa Helena por aqui) foi um marco da engenharia nacional e um case para a engenharia internacional. Mérito para os profissionais do Metrô que tiveram a coragem de importar e usar o que conhecemos como tatuzão, mas que o tem o nome técnico de “shield”

No dia 17 de outubro de 1972, há mais ou menos 49 anos, o Metrô de São Paulo colocou em funcionamento o primeiro equipamento desse tipo. A meta era a de construir 2.620 metros de túneis que serviriam de passagem para os trens do Metrô.

Segundo informações da própria empresa, o poço de serviço Prestes Maia, nas proximidades número 400 desta avenida, foi o ponto de partida das quatro máquinas shields, duas Calweld, de fabricação americana e duas Bade, de fabricação alemã, que partiram em datas alternadas, para as escavações dos túneis de passagens de trens sob o Centro Histórico e financeiro da cidade. 

As máquinas americanas escavaram sob a avenida Prestes Maia em direção à estação Luz, onde foram arrastadas para prosseguir as escavações até o poço da avenida Tiradentes, ao lado da Pinacoteca. 

· O primeiro túnel desse trecho foi concluído em 22/11/1973 

· O segundo túnel, em 15/02/1974 

As máquinas alemãs saíram do Poço Prestes Maia em direção à estação São Bento, onde foram arrastadas para as escavações sob o leito da rua Boa Vista, em direção a estação Sé. 

– O primeiro túnel desse trecho até o poço Largo Sete de Setembro, foi concluído em 29/07/1974. A finalização deste trecho interligou fisicamente, os túneis de vias da Linha 1-Azul, na época, denominada Norte Sul. 

– O segundo túnel, até o Largo Sete de Setembro, na praça João Mendes, em 27/10/1974. O último trecho deste túnel, da estação Sé ao Largo Sete de Setembro foi feito por uma máquina americana Calweld, que escavou o túnel no sentido do poço Tiradentes. 

A escavação dos túneis, em condições inéditas, foi uma tarefa desafiadora, que requereu cuidadoso planejamento e ações para cada avanço da máquina.  Em alguns pontos, foram necessários o uso de injeções químicas para garantir a estabilidade do solo além de reforços na fundação de alguns prédios para garantir o avanço seguro das escavações com as máquinas.

Quem lembra dessa época de obras do Metrô pela cidade? Abaixo, fotos do shield em São Paulo.

Shield sob o Centro Histórico de SP
Trecho entre as estações Sé e São Bento aberto pelo tatuzão
Montagem do tatuzão
Trecho entre as estações Sé e São Bento aberto pelo tatuzão

2 thoughts on “A obra de arte do Metrô: quando o tatuzão passou sob o Centro Histórico

  • 26 de outubro de 2021 em 12:44
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    Fato histórico que transformou definitivamente, a mobilidade na maior cidade do Brasil.

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  • 27 de outubro de 2021 em 10:10
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    Esta atividade histórica da Engenharia Nacional foi encerrada em julho de 1978, com a escavação de um trecho do túnel Sé-Anhangabaú, já para a tão aguardada Linha LESTE-OESTE, atual Linha 3- Vermelha. O último dos SHIELDs pioneiros ficou enterrado a leste da atual estação a 12 metros de profundidade até a conclusão das obras desta estação. Os anéis implantados pelo último SHIELD já eram de concreto, substituindo os de ferro fundido colocados no início dos trabalhos. Esta foi uma época de progresso tecnológico incomparável no Brasil e a Companhia do Metrô e seus engenheiros estiveram sempre à frente deste processo.

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