A estátua do Ceret: a história de David

Navegando em vários grupos que falam sobre a história de São Paulo no Facebook, encontrei um registro feito por Decio Monteiro sobre a estátua de Davi que, atualmente, está no estacionamento do Centro Educativo, Recreativo e Esportivo do Trabalhador, o popular parque Ceret, na Zona Leste de São Paulo.

E por incrível que pareça a estátua tem uma boa curiosidade por trás. Desenvolvida pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, a estátua de Davi foi desenvolvida em argamassa armada. Vale dizer que, desde as primeiras décadas do século XX, essa instituição possuía uma coleção de reproduções em gesso de obras muito famosas nos museus da Europa.

Essa reprodução, que tem 5 metros de altura, foi implantada no Pacaembu entre a arquibancada leste a concha acústica. Segundo informações da prefeitura, o catálogo da inauguração do estádio apresentava a estátua como uma das atrações do novo espaço esportivo de São Paulo.

Estátua de David, no Pacaembu, no canto superior esquerdo. Imagem sem data

Especula-se que a imagem de David foi escolhida devido ao seu tamanho e dimensões que, na visão dos curadores, seriam compatíveis com a monumentalidade do estádio. Se pensarmos, a figura atlética e saudável de David poderia ser uma inspiração aos atletas.

Mas vamos voltar à história e a sua curiosidade. David fez história no Pacaembu. Quando o estádio completou 40 anos, em 1980, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria contendo trechos de depoimento do Sr. José Isidoro, eletricista do estádio havia 32 anos.

Segundo ele, na época em que a estátua de David ainda se encontrava no interior da praça de esportes, as autoridades municipais se preocupavam com sua nudez e mandavam cobri-lo com uma “tanguinha” “para não chocar as moças que participariam dos desfiles” de 7 de setembro.

Em 1969, o estádio foi reformado para aumentar sua capacidade. Nessa reforma a concha acústica e o salão de festa foram demolidos e o controverso tobogã surgiu. A estátua de David, nesse contexto, foi removida e colocada na praça Charles Miller, em frente aos portões do “Paca”.

Dali, após algum tempo, ela foi movida para a rua Canuto Abreu, em frente aos arcos de entrada do Ceret, no Tatuapé.

A inauguração da estátua aconteceu no dia 1º de maio de 1974, como parte dos festejos pelo Dia do Trabalho. Em 2002, argumentando que o David pertenceria ao acervo do estádio, o seu administrador providenciou a volta da estátua. Mandou uma equipe especializada ao Tatuapé para efetuar a remoção, mas o Diretor do CERET a impediu.

O Departamento do Patrimônio Histórico (DPH) não autorizou a transferência, entendendo que os moradores estabeleceram vínculos afetivos com a obra, identificando-a como patrimônio local.

A disputa entre o administrador do estádio e os moradores chegou à imprensa e se estendeu por alguns meses. Ao final, prevaleceu a vontade dos moradores do Tatuapé. No ano de 2017, a estátua de David passou por restauros e teve toda sua estrutura cuidada, inclusive com o ajuste de peças quebradas.

Referênciahttps://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/patrimonio_historico/adote_obra/index.php?p=6261 

Um comentário em “A estátua do Ceret: a história de David

  • 24 de outubro de 2019 em 02:39
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    Conhecida carinhosamente no bairro como “peladão”.

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