A origem dos nomes das ruas de São Paulo #2

História de São Paulo

Continuando a missão de resgatar a curiosidade de alguns nomes de ruas de SP, chegamos à segunda edição desse tipo de texto e, dessa vez, focamos em buscar nomes curiosos na região da Praça da Sé. Lembrando sempre que a ideia é pegar algumas ruas que não tenham uma origem tão rica, historicamente falando. As ruas e avenidas mais famosas serão esmiuçadas em textos separados. Comecemos! 

Rua de Santa Teresa: A original Rua de Santa Teresa na cidade São Paulo é hoje a Rua Roberto Simonsen. No dia 28 de novembro de 1865, por proposta do vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra, aquela primitiva Rua de Santa Teresa teve a sua denominação alterada para Rua do Carmo e, mais tarde, para Roberto Simonsen.

Naquela mesma sessão da Câmara de 28/11/1865, o vereador Malaquias sugeriu que a denominação de “Santa Teresa”fosse aplicada à Rua Detrás da Sé, antiga Rua Detrás do Santíssimo. Tal sugestão foi aprovada.

A Rua Santa Teresa lembra a existência do antigo Recolhimento de Santa Teresa de Jesus que foi fundado e construído por Lourenço Castanho Taques, o moço, a conselho do bispo do Rio de Janeiro, Dom José de Barros de Alarcão. A inauguração do Recolhimento, deu-se no dia 28 de novembro de 1865, e destinava-se, segundo o desejo do seu fundador, deixar para a posteridade uma casa para se abrigarem todas as pessoas do sexo feminino, suas netas e mais descendentes do mesmo sexo que quizessem abraçar o instituto da matriarca Santa Tereza.

Praça Clovis Bevilaqua: Clóvis Bevilaqua, nasceu em Viçosa, Estado do Ceará, em 4 de outubro de 1859. Depois de estudar em seu Estado Natal, diplomou-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de Recife. Exerceu a função de Promotor Público em Alcantra no Maranhão, Lente de Filosofia na Faculdade de Recife e de livre docente no mesmo estabelecimento.

Organizou o projeto do Código Civil, representou o Brasil no Tribunal de Haia, foi Consultor Jurídico do Ministério das Relações Exteriores. Pertenceu ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de Letras. Publicou entre outras, as obras: Filosofia Positiva no Brasil, Estudos de Direito e Economia Política, Legislação Comparada, Direito das Obrigações, Direito da Família, Direito Internacional Privado e Direito Público Internacional. Fez parte de diversas Associações Científicas Estrangeiras, como; Academia de Jurisprudência de Bogotá; o Instituto de Coimbra; a American Academy of Political And Social Ciences, de Filadelfia; a Associação de Direito comparado, de Berlim. Faleceu no Rio de Janeiro em 26 de julho de 1944.

Nome oficializado pelo Decreto-lei nº 387, de 07 de janeiro de 1947.

Praças da Sé e Clóvis Bevilaqua em postal de 1978

Rua Anita Garibaldi: Este LOCAL já teve as seguintes denominações: “Rua Detrás da Cadeia” (Século XVIII) e “Rua do Trem” (a partir de 1865). Em 1907, recebeu oficialmente o nome de “Anita Garibaldi” em homenagem à Ana de Jesus Ribeiro da Silva, nascida em Morrinhos (SC) no ano de 1821 e falecida na Itália em 1849. Participou, ao lado de Giuseppe Garibaldi, da Guerra dos Farrapos (RS), da luta contra o ditador argentino Rosas no Uruguai e da campanha pela unificação da Itália.

Nome anterior: Rua do Trem

Nome oficializado pela Lei nº 1.010 de 03 de Junho de 1907.

Rua Onze de Agosto: Essa denominação lembra a data da fundação dos Cursos Jurídicos no Brasil, no ano de 1827.

Rua Venceslau Brás: No século XVIII, este local era conhecido como “Rua que vai para Santa Tereza”, uma referência ao Convento de Santa Tereza que localizava-se na atual Rua Roberto Simonsen. Posteriormente, teve também a denominação de “Travessa da Sé”, uma vez que a rua tinha o seu início num dos cantos do antigo “Largo da Sé”, ao lado da Igreja de mesmo nome. No começo do século XX a travessa foi prolongada até a antiga “Rua do Mercado” (atual “25 de Março”) e recebeu a denominação de “Rua Doutor Wenceslau Braz”, época em que o homenageado ainda estava vivo.

Wenceslau Braz Pereira Gomes nasceu em São Caetano da Vargem Grande – atual Brazópolis – Distrito de Itajubá (MG) no dia 26/02/1868, filho do Cel. Francisco Braz Pereira Gomes e de d. Isabel Pereira dos Santos. Cursou a escola primária em sua cidade natal e em 1884 transferiu-se para São Paulo onde cursou a Faculdade de Direito. Diplomou-se em 1890 e, no ano seguinte, foi nomeado promotor público em Jacuí (MG). Iniciou então sua carreira política que em pouco tempo o levaria à Presidência da República. Elegeu-se Deputado Estadual por Minas e exerceu o mandato de 1892 a 1898, quando foi escolhido para Secretário do Interior de Minas Gerais. Exerceu este último cargo de 1898 até agosto de 1902. Foi eleito Deputado Federal em 1902 e reeleito em 1906.

Foi empossado no governo do Estado de Minas Gerais, em abril de 1909, para completar, até setembro de 1910, o quadriênio de João Pinheiro. Vice-presidente da República de 1910 a 1914 no governo do Marechal Hermes da Fonseca, foi eleito presidente e governou o país de 1914 a 1918. Em seu governo enfrentou alguns problemas como a epidemia de gripe espanhola, a grande seca nordestina de 1917 e a I Guerra Mundial. Promoveu a entrada do Brasil no conflito aliando-se aos E.U.A e declarando guerra à Alemanha. Terminado o seu mandato, transferiu-se para a cidade de Itajubá, mantendo-se afastado da vida política. Wenceslau Braz faleceu em Itajubá no dia 15 de Maio de 1966.

Logradouro oficializado através da Lei nº 2.136, de 13 de junho de 1918.

Nome anterior do logradouro: Travessa da Sé.

A denominação “Wenceslau Braz” foi alterada para “Venceslau Brás” pelo Decreto 15.635, de 17 de janeiro de 1979.

Gostou desse tipo de curiosidade? Confere a primeira parte, então, onde resgatamos nomes curiosos do Ipiranga!

Referências: https://dicionarioderuas.prefeitura.sp.gov.br

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