O Conde Paulistano – A História de Eduardo Prates

O Vale do Anhangabaú, graças à iniciativa do Conde Prates, tem um retrato histórico muito bonito, apesar da falta de preservação do patrimônio histórico paulistano. Contudo, apesar de todos os amantes da história da cidade conhecerem seus famosos palacetes, pouco se fala do homem que investiu grande fortuna para a construção desses edifícios.

Nascido na própria cidade de São Paulo, no dia 8 de novembro de 1860, Eduardo Prates era filho de Fidêncio Nepomuceno Prates e de Inocência da Silva Prates, filha do Barão de Antonina. Desde a mais tenra infância, Eduardo sentiu que os negócios eram o segmento que lhe atraíam e dedicou sua vida a esse mundo. Com o passar dos anos, Eduardo acabou se casando com Antônia dos Santos Silva, famosa integrante da elite paulista e filha do Barão de Itapetininga.

Graças à sua envergadura moral, sua personalidade e seus sentimentos de amor ao próximo, Eduardo se tornou uma das figuras mais respeitadas de sua época na cidade. Sua dedicação em ajudar aos necessitados fez de Prates um ser humano diferenciado da maioria dos ricos daquela época.

Eduardo da Silva Prates
O famoso Conde Prates

O título de nobreza ao qual tinha direito veio através do Papa Leão XIII, devido à sua atuação em prol da sociedade, graças à sua generosidade e ao amparo aos necessitados. Era sabido na cidade de São Paulo que, qualquer pessoa que batesse à sua porta, receberia algum tipo de ajuda, nunca saindo de suas propriedades com as mãos abanando.

Prates foi membro da 1ª Comissão Fundadora da Nova Catedral Metropolitana de São Paulo (Sé), no ano de 1912 e, por sua atuação, recebeu o título de grande benemérito. Além disso, durante muitos anos, ele foi um dos grandes protetores do Orfanato Cristóvão Colombo, onde fazia regulares visitas e acompanhava os pequeninos daquela instituição.

O Conde ainda atuaria em outras instituições, como a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e frequentando o convento de Nossa Senhora da Luz. Sua dedicação era tamanha que, graças à uma autorização de Dom Duarte Leopoldo e Silva, ele podia entrar e conversar com as freiras para entender seus problemas e necessidades. A Igreja de Santo Antônio, na Praça do Patriarca, e o Liceu Coração de Jesus, também foram outros locais que contaram com a benevolência do Conde. Nessa última, inclusive, existe um quadro a óleo em sua homenagem.

Quer ver um pouco mais das obras do Conde Prates? Confere o grande especial que fizemos sobre o assunto!

Sua vida foi permeada por diversas ações em prol da cidade e da sociedade de São Paulo, tanto que não é raro encontrar seu nome em diversas iniciativas diferentes, como: fundador e presidente do Banco de São Paulo; fundador e 1º Presidente da Sociedade Rural Brasileira; vice-presidente e diretor da Companhia Paulista de Estradas de Ferro; fundador e presidente da Companhia de Armazéns Gerais do Estado de São Paulo e, também, de diversas outras empresas, como:  a Companhia de Minerais Santa Rosa, a Companhia Pastoril de Barretos e a Companhia Paulista de Navegação.

Vale do Anhangabaú na ´decada de 1910 com destaque para os Palacetes Prates
Vale do Anhangabaú na ´decada de 1910 com destaque para os Palacetes Prates

Um de seus hobbys eram as mais diversas modalidades esportivas tanto que, em 1911, foi fundador e o primeiro presidente da Sociedade Hípica Paulista que reunia a aristocracia de São Paulo para a prática do “mais elegante dos esportes”.

Como não poderíamos deixar de mencionar, sua maior contribuição à cidade de São Paulo fica por conta de seus lindos prédios no centro, mais especificamente no Vale do Anhangabaú. Ali ele ergueu verdadeiras obras de arte e, antes de iniciar a construção, doou à cidade de São Paulo grandes faixas de terra na Rua Líbero Badaró e no Vale do Anhangabaú.

Mais do que isso, ele ajudou a negociar para que o grande solar dos Barões de Itapetininga, que consistia em uma gigantesca chácara, pudesse ser doado ao município e, assim, surgir o Vale do Anhangabaú. O famoso Conde Prates acabou falecendo no dia 22 de março de 1928 e, dizem, que em seus últimos dias, fez apelo para que suas iniciativas fossem levadas a frente e que a cidadania fosse mantida entre os paulistanos.

3 comentários em “O Conde Paulistano – A História de Eduardo Prates

  • 17 de fevereiro de 2017 em 12:05
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    São Paulo in Foco é um desses sites que nos dão grande prazer em aprender e conhecer aspectos esquecidos ou jamais suspeitados da grande metrópole. maravilhoso trabalho!

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  • 5 de fevereiro de 2019 em 21:47
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    MEU ANTEPASSADO NAS BELAS ARTES.MUITO ME HONRA ESSAS OBRAS EM PROL DE SÃO ´PAULO;.PARABÉNS
    AOS PESQUISADORES.

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    • 6 de fevereiro de 2019 em 10:20
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      O senhor tem algum outro material desse seu antepassado? Muito me interessa a trajetória e história desse grande homem. Abraços!

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