O Maior Negócio Do Brasil – O Edifício Mendes Caldeira

A cidade de São Paulo, como todas as outras metrópoles do mundo, sofre com as mudanças da sociedade e de seus edifícios. Um dos mais emblemáticos prédios que desapareceu da paisagem paulistana foi o Edifício Mendes Caldeira

Anunciado em jornais como Correio Paulistano e O Estado de S.Paulo, em junho de 1960, como “O maior negócio do Brasil“, o Mendes Caldeira surgia como o maior arranha céu já construído na região da Praça da Sé. Naquela época só haviam prédios baixos ao redor da Catedral Metropolitana de São Paulo e o novo e moderno edifício, com sua ousadia, prometia ter suas unidades vendidas em tempo recorde. Contudo, outro monumento da nossa cidade mudaria a história do Mendes Caldeira. No ano de 1960, a Praça da Sé era um local bem diferente. Na verdade, a cidade vivia um momento diferente.

Acabávamos de sair da comemoração do IV Centenário e a Catedral ainda não estava concluída. É bem verdade que as obras estavam próximas do 100% (mas suas torres só seriam terminadas em 1967) e a praça já era uma correria.

Em um tempo que a Faria Lima, Berrini não existiam como endereços para escritórios, ter o seu na Praça da Sé era um excelente negócio, pois estava no coração da maior cidade da América Latina e próximo a tribunais, bancos e diversos órgãos públicos.

SP-Edif.-Mendes-Caldeira-1966

Cumprindo suas expectativas, o Mendes Caldeira teve suas unidades vendidas rapidamente e em 1961 foi inaugurado, começando a funcionar como um dos maiores edifícios de São Paulo.

Toda esta grandiosidade, aliada a um projeto moderno e arrojado desenvolvido pelos arquitetos Jorge Zalszupin e Lucjan Korngold tinha tudo para fazer do edifício um dos grandes ícones da arquitetura moderna paulistana.

Entretanto, o Edifício Mendes Caldeira estaria no epicentro de uma questão importantíssima para o desenvolvimento da capital paulista: A Estação Sé do Metrô. As obras da estação ,como um todo, estavam em ritmo bastante lento e no início da década de 70, começou-se a discutir que talvez fosse necessária a desapropriação e demolição de alguns dos prédios que ficavam entre a Praça da Sé e a Praça Clóvis Bevilacqua. Entre eles dois ícones de São Paulo: o Palacete Santa Helena, representando a São Paulo antiga, e o Mendes Caldeira, representando a São Paulo contemporânea.

Até hoje não está muito claro quais os reais motivos que tornaram a implosão do Mendes Caldeira algo impossível de se reverter. Pesquisando sobre o fato é possível encontrar uma série de fatores, como atraso no cronograma de obras, corrupção e até indícios de uma falha geológica que poderia causar o desabamento do edifício durante os trabalhos no subterrâneo. O fato é que  ao raiar do sol de 16 de novembro de 1975 o Mendes Caldeira foi abaixo.

Implosão do edifício Mendes Caldeira

A implosão decretou o fim do Edifício Mendes Caldeira e também o fim da divisão entre as Praças da Sé e Clóvis Bevilacqua. Hoje fica até difícil explicar aos paulistanos mais jovens que no local existem duas praças e não uma só. A confusão é até compreensível e mostra que hoje não faz mais o menor sentido manter os dois nomes de praça.

Alguns anos mais tarde, já com o metrô operando, as duas praças seriam reinauguradas e entregues aos paulistanos, por muito tempo estiveram bem cuidadas e sendo um excelente ponto turístico.

Como curiosidade, vale o destaque de que hoje existe outro Edifício Mendes Caldeira em São Paulo, ele está localizado na Avenida Nações Unidas 10.989, na Vila Olímpia.

Um comentário em “O Maior Negócio Do Brasil – O Edifício Mendes Caldeira

  • 30 de setembro de 2018 em 22:31
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    Eu trabalhava no andar 21, último do Edifício Wilson Mendes Caldeira, bonito, elegante, grande, majestoso. Senti muito quando o prédio foi abaixo. Tinha no entanto a esperança de que ele desse um espaço para uma nova e bonita praça. Nem isso. Chorei ao ver ser ele implodido, choro hoje por ver a praça da Sé transformada num covil. Progresso que não deu certo. Mas tudo passa, um dia essa praça vai passar também.

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