A Origem do Largo do Arouche E Sua Relação Com a Independência do Brasil

O centro da cidade de São Paulo é, em sua essência, um resgate da memória da cidade de São Paulo e, em alguns casos, do próprio Brasil. O Largo do Arouche, por exemplo, representa bem essa afirmação feita na frase anterior. Apesar de ser um dos locais mais frequentados do centro, já que fica em uma zona extremamente movimentada, pouca gente conhece sua história e quem é o homem que empresta seu nome à região. O homem em questão, José Arouche de Toledo Rendon, nasceu na cidade de São Paulo no dia 14 de março de 1756 e era filho do mestre-de-campo Agostinho Delgado Arouche e de Maria Thereza de Araújo Lara.

Mesmo nascido no Brasil, Arouche acabaria se formando em Portugal, mais especificamente no curso de direito civil na cidade de Coimbra, onde recebeu o grau de “doutor em leis” no dia 14 de julho de 1779. Após concluir seus estudos, Arouche decidiu que era o momento de voltar à sua terra natal e exercer a advocacia em São Paulo. Retornando à cidade ele exerceu os cargos de juiz de medições, juiz ordinário, juiz de órfãos e de procurador da Coroa. Vale dizer que, em todos esses departamentos, ele sempre trabalhou com profunda honradez, honestidade e proficiência, sendo reconhecido como um dos maiores juízes de sua época.

Arouche

Após conquistar certo prestígio na carreira, Arouche se sentiu atraído pela chamada “carreira das armas” e entrou para o exército no cargo de Capitão. A partir de então, subiria degraupor degrau, sendo mestre de campo, inspetor geral de milícias, brigadeiro, marechal de campo e, por decreto assinado em 18 de outubro de 1829, tenente-general do exército.

Uma Viagem Importante E Sua Atuação Política

José Arouche de Toledo, por toda sua carreira e pelo amor que sentia pelo seu país, sempre foi um adepto ferrenho da independência nacional. Com todo o prestígio que adquirira durante sua vida, o General Arouche foi um nomeado, em janeiro de 1822, como delegado da Câmara Municipal de São Paulo para ir ao Rio de Janeiro e falar com o príncipe regente do Brasil, o jovem Dom Pedro. Sua missão era difícil: pedir que ele desobedecesse aos chamados da Corte Portuguesa e ficasse no Brasil, já que, até então, o desenvolvimento da nação dependia dele. Além de Arouche, fizeram parte dessa missão, também, o Coronel Gama Lobo e José Bonifácio de Andrada e Silva, que representava o Governo Provisório.

No dia 20 de maio de 1822, através de um decreto, Arouche foi nomeado comandante das Armas de São Paulo. Pouco depois da Independência do país, foi convocada uma Assembleia Constituinte e, nessa ocasião, ele acabou sendo eleito deputado por São Paulo, seguido de: José Bonifácio, Antonio Carlos, Paula Souza, Nicolau Vergueiro, José Ricardo de Andrade, Fernandes Pinheiro, Velloso de Oliveira e Diogo Ordenhes, tendo sido este último substituído por José Corrêa Pacheco e Silva.  Nessa Assembleia, Arouche acabaria tomando parte nas discussões sobre a indicação de Fernandes Pinheiro e sobre a criação da Universidade de São Paulo.

Entre os anos de 1826 e 1829, Arouche foi eleito deputado geral, mas não chegou a assumir o cargo, sendo substituído pelo brigadeiro José Vicente da Fonseca. No dia 13 de outubro de 1827, através de outro decreto, ele acabou sendo nomeado diretor do Curso Jurídico de São Paulo, ficando de em 1º de março de 1828 até 1833, quando acabou sendo exonerado do cargo por vontade própria. Um ano após sair do cargo, Arouche acabaria falecendo. Uma triste perda para a sociedade paulistana da época. O Tenente-General Arouche Rendon é considerado uma grande figura da história de São Paulo e do país e, graças aos seus esforços desprendidos à cidade, ele empresta seu nome a um largo no centro da cidade onde, um dia, foi sua grande chácara.

Referênciashttp://www.saopaulominhacidade.com.br/historia/ver/9153/O%2BLargo%2Bdo%2BArouche  

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