O bairro das sete irmãs: a história da Casa Verde

Um dos bairros mais conhecidos da Zona Norte de São Paulo tem uma história, digamos curiosa, de surgimento. E curiosa porque a “vontade popular” suplantou a denominação “original” e perpetuou o nome de Casa Verde para a eternidade. Mas vamos por partes para compreender todo esse raciocínio.

A origem mais aceita do nome Casa Verde vem do século XVIII, em homenagem a sete irmãs solteiras que possuíam um sítio na região. Esse sítio pertencera à Amador Bueno, que chegou a ser aclamado “Rei” de São Paulo.

Amador Bueno não aceitando a coroa, foi perseguido pelos paulistas e se refugiou no mosteiro de São Bento, em São Paulo. Quadro de 1931 e de autoria de Oscar Pereira da Silva

As irmãs eram Caetana Antonia de Toledo Lara e Moraes (1754), Gertrudes Genebra de Toledo Rendon Freire, Joaquina Luisa Delgado de Toledo e Luna (1762), Puqueria Leocadia Domitilla Ordonhes de Toledo (1756), Ana Teresa de Araujo de Toledo (1751), Maria Rosa de Toledo Rendon  (1758) e a caçula Redunzinda de Toledo (1764).

Essas mulheres eram filhas de Agostinho Delgado Arouche, e irmãs de José Arouche de Toledo Rendon, primeiro diretor da faculdade de direito do Largo São Francisco.

Segundo o Estadão, essas irmãs moravam em uma casa na atual Praça da República que tinha o tom verde em sua composição. Não se sabe e apenas nas janelas ou em sua totalidade e daí veio o nome do bairro, já que no norte da cidade estava o “sítio das irmãs da casa verde”. Vale o registro que essas pessoas eram descendentes de Amador Bueno.

Vista do bairro em 1982

Esse nome se popularizou e foi disseminado por toda a cidade. Esse fenômeno, de nomear um ponto por cultura popular ou uma curiosidade do local, é conhecido como “voz anônima”.

Em 1842, a propriedade do norte de São Paulo chegou às mãos de João Maxweel Rudge. Seus herdeiros, em 1913, lotearam a área e pretendiam chama-la de Vila Tietê. O processo de loteamento obteve sucesso, mas o nome acabou não pegando, muito pela cultura popular de chamar a região de Casa Verde.  

Outras origens para o nome Casa Verde

Existem outras explicações para o nome do bairro. Segundo o site da Prefeitura, “relatos dão conta de uma casa verde no sítio na margem dentro do Rio Tietê; outros falam da grande e nobre irmandade Arouche Rendon viviam numa casa verde numa antiga travessa do Colégio (hoje Anchieta)”.

“Elas eram conhecidas como “as moças da casa verde da travessa do colégio” as terras do general José Arouche de Toledo Rendon se estendiam até a margem direita do Tietê. Em 1852 morre dona Caetano Antonia, a última das “moças da casa verde” o sítio passa pela mão de vários donos até chegar a família Rudge que acaba por loteá-lo. Mas na voz popular a região continuou a ser chamada como casa verde numa referência a casa”.

Cronologia da Casa Verde

1638 – sítio com um total de 200 alqueires, propriedade do “todo poderoso” Amador Bueno Ribeiro (provedor da capitânia, capitão mor, ouvidor, contador de fazenda real, juíz de orfãos) – e aclamado pelos espanhóis – aqui radicado em 1641 como “rei”. Na época era cultivado na região trigo, cevado, vinha, produtos considerados tipicamente europeus.

1794 – O tenente coronel José Arouche de Toledo Rendon envia ao seu irmão em Lisboa uma caixa de café produzido no sítio.

1852 – O sítio passa para Francisco Antonio Baruel passando por diversos outros donos.

1882 – João Maxwell Rudge torna-se proprietário do sítio.

1913 – Os herdeiros de Maxwell Rudge decidem lotear o sítio. Em 21 de maio o 1º lote é vendido. Elas dão o nome de Vila Tietê que afinal não foi assimilado pela população continuando a ser conhecida como casa verde.

1915 – Os irmãos Rudge constroem a ponte de madeira sobre o Rio Tietê.

Reforma da Ponte da Casa Verde sobre o Rio Tietê em 1935

1922 – Chegada do bonde no bairro.

1925 – Lançada pedra fundamental da Igreja S. João Evangelista.

1927 – Lançada pedra fundamental da Paróquia N.S. das Dores.

1928 – Lei nº 2335 de 28 de dezembro cria o distrito de paz da Casa Verde.

1937 – Chegada da luz elétrica do bairro.

1954 – A ponte de madeira é substituída pela atual de concreto.

Referência: https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/casa_verde/historico/index.php?p=931

https://acervo.estadao.com.br/noticias/acervo,casa-de-sete-irmas-deu-nome-a-casa-verde,9053,0.htm

4 comentários em “O bairro das sete irmãs: a história da Casa Verde

    • 21 de maio de 2020 em 07:47
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      Nossa que lindo, sempre tive curiosidade de saber, o porque dos, nomes,…dos bairros,…tipo,..Cachoeirinha, largo do Japones,…etc etc,…ja morei na casa Verde,..Rua Zilda!

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    • 24 de maio de 2020 em 18:45
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      As origens dos nomes geram controvérsias em suas possibilidades, quase que sempre sedutoras e férteis. Ainda bem que assim o é, sem as exatidões que, quase que sempre, decepcionam.

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