O Combate à Raiva em SP: O Instituto Pasteur

História de São Paulo

O Instituto Pasteur, sediado na Avenida Paulista, é uma das referências da cidade no estudo da raiva. A entidade foi criada em 5 de agosto de 1903 como uma instituição privada, de fins científicos e humanitários, por um grupo de médicos e beneméritos, como os “Barões do Café” e industriais, com o objetivo principal de proceder ao tratamento anti-rábico humano.  

Pouco tempo depois, em 1916, a instituição foi doada ao governo do Estado de São Paulo por motivos econômicos, afinal, com o final da Primeira Guerra Mundial, os donativos para a instituição diminuíram e não podia mais manter o tratamento gratuito aos portadores da hidrofobia.

Essa doação ao estado acabou resultando no Decreto-Lei nº 1.525, de 13 de agosto de 1916, se tornando uma obrigação do governo do Estado a vacinação e tratamento da raiva. Essa iniciativa foi de extrema importância para a sociedade brasileira, afinal, no começo do século XX, a raiva canina era uma doença que crescia sem controle e resultava em muitos óbitos humanos.

Os moradores de São Paulo e de outros estados vinham à capital em busca da assistência oferecida pelo Instituto Pasteur. Também chegavam pessoas infectadas pela raiva que eram encaminhadas para o Hospital de Isolamento e acabavam morrendo.

Registro do Instituto Pasteur em 1903
Registro do Instituto Pasteur em 1903

A sede do instituto, inclusive, foi adquirida, reformada com donativos e inaugurada em 18 de fevereiro de 1904. A diretoria da instituição foi um capítulo à parte do Pasteur.  Após inúmeras tentativas de contratar um cientista estrangeiro e de renome para dirigir a instituição, no final de 1905 o médico italiano Antonio Carini, que se encontrava em Berna, na Suíça, aceitou o convite e veio para o Instituto Pasteur.

No ano de 1908, quando o Instituto Pasteur ainda dirigido por Carini, foi levantada a hipótese de que a raiva de bovinos e equinos poderia ser causada por conta do morcego hematófago. A comunidade científica internacional da época deu pouco crédito a essa teoria, considerando-a inclusive uma fantasia tropical, mas depois a ideia de Carini se provou correta.

Para tanto, Carini foi convidado a investigar o surto que acontecia em Santa Catarina onde 3.000 bovinos e 1.000 equinos foram mortos. Ali ele verificou indícios de ataques de morcegos e confirmou essa hipóteses ao analisar o sistema nervoso central dos animais mortos e encontrar corpúsculos de Negri no citoplasmas das células nervosas, uma prova cabal de sua teoria.

Entre as principais atividades oferecidas pelo Instituto vale destacar: o diagnóstico virológico, a sorologia para avaliação de anticorpos anti-rábicos, atuando como Laboratório de Referência Nacional e consorciado da Organização Pan-americana de Saúde – OPAS / Organização Mundial de Saúde – OMS, para estudos de cepas do vírus da raiva. O atendimento ambulatorial é feito por médicos especializados que também realizam estudos de reações adversas ao soro e à vacina anti-rábica.

Desde o ano de 1996, o Instituto Pasteur sedia a coordenação do Programa de Controle da Raiva do Estado de São Paulo. Com a implementação das ações do Programa de Controle Estadual da Raiva, a ocorrência entre cães e gatos teve um acentuado declínio a partir de 1997, não sendo mais registrados casos com a variante canina desde 1999.

Anualmente o IP realiza dosagem de anticorpos anti-rábicos em cerca de 24.000 amostras de soro humano para todo o país (exceto Minas Gerais). A cada ano são vacinados cerca de 5,5 milhões de cães e 1 milhão de gatos.

O laboratório do IP, processa mais de 1800 amostras/ano de soro animal (cães e gatos) e emite laudos de Sorologia para avaliação de anticorpos anti-rábicos, com finalidade de transporte de animais de companhia para países da Comunidade Européia.

Entre 15 a 20 mil amostras/ano de animais suspeitos são processados pelos vários laboratórios do Estado de São Paulo, sendo mais da metade pelo Instituto Pasteur.

Referências: http://www.saude.sp.gov.br/instituto-pasteur/quem-somos/historico

http://ses.sp.bvs.br/lildbi/docsonline/get.php?id=490

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *