A Igreja Mais Famosa de São Paulo- A Catedral da Sé

A Catedral da Sé é um dos monumentos mais antigos e famosos da cidade de São Paulo. Recheado de história, poucas pessoas entendem seu valor para a cidade de São Paulo.
Antes de ser uma imponente Catedral, a Sé teve que “se contentar” com o título de ser uma das primeiras igrejas da cidade de São Paulo. Contudo, suas curiosidades estão longe de serem apenas essas. O mais impressionante é que esse monumento foi reconstruído três vezes em menos de 100 anos e, mesmo assim, permanece com sua aura de intocável.

A primeira “versão” da Catedral foi erguida em 1591, no lugar que conhecemos hoje. O terreno foi escolhido pelo cacique Tibiriça e ela foi construída em taipa e pilão se tornando a primeira igreja de São Paulo.

Sua estrutura era bastante frágil sendo composta por barro e palha armados em toras. Ela possuía um templo de 34 metros da porta principal ao arco do cruzeiro, 12 metros de largura e seis altares laterais e o altar-mor.

Internamente, a igreja tinha tábuas de assoalho que eram largas, grossas, cheias de frestas e feitas de canela preta. Essas peças foram muito dispuadas para mobiliário quando o templo foi demolido.

Quase duzentos anos depois, em 1745, a velha Sé (como era conhecida), foi elevada a categoria de Catedral e, devido à precariedade da primeira construção, uma segunda “versão” foi erguida.

Largo da Sé, em, 1907. Foto Aurélio Becherini
Largo da Sé, em, 1907. Foto Aurélio Becherini

Somente no início do século XIX, foram iniciados os projetos para as reformas do Largo da Sé. O primeiro projeto, datado de 1882, ficou a cargo do engenheiro Jules Martin, o mesmo que projetara o primeiro Viaduto do Chá.

Ele imaginava a construção de uma Catedral na praça dos Curros, atual praça da República. Contudo, o senador José Luiz de Almeida Nogueira defendia que a antiga Sé não deveria ser demolida sem antes a cidade ter uma igreja terminada.
Em 1888, durante uma reunião do episcopado de Dom Lino Deodato, realizou-se a primeira reunião para a construção da nova Catedral.

As razões então apresentadas para uma nova igreja eram várias, como: o conjunto da antiga Sé, sólida na construção, mas alterada por várias reformas; o seu local; o grande fluxo de cidadãos que frequentava cada vez mais a igreja e a urgência de abrirem-se novas avenidas em São Paulo.

Da primeira comissão para a discussão da nova igreja, fizeram parte: Antônio Prado, Antônio Fleury (marquês de Itu), José Vicente de Azevedo, Dons Lino (presidente da comissão)  e Jesuíno de Melo.

O projeto da Catedral foi discutido em vários bispados, como o de Joaquim Arcoverde, de Dom Antônio Cândido Alvarenga e Dom José de Camargo Barros. Coube a Dom Duarte Leopoldo e Silva realizar o plano final de erguer a nova Catedral de São Paulo.

Como não era viável a construção da Catedral no Largo dos Curros, ficou decidido que a Catedral ficaria na Praça da Sé e exigiria a demolição do antigo templo. O bispado de São Paulo recebeu a quantia de 350 mil cruzeiros pela demolição e terreno da antiga Sé.

Uma nova igreja deveria ser construída na região, ocupando também o terreno que já se encontrava vazio do antigo Teatro São José. Uma disputa acirrada envolveu a Prefeitura e a Cúria, já que na Sé também estava sendo projetado, pelo arquiteto Ramos de Azevedo, um novo Paço Municipal (que nunca foi realizado) para substituir o existente no Pateo do Colégio.

A igreja, muito influente na época, conseguiu a autorização para a construção da Catedral no alto da esplanada em troca da demolição das igrejas da Sé e São Pedro dos Clérigos, erguida no século XII.

Em 11 de abril de 1910, publica-se a Lei n. 1305, da demolição da antiga Sé , iniciada em 25 de janeiro de 1912, ironicamente no dia do aniversário da cidade, quando o então arcebispo metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva e as principais famílias paulistanas começaram a angariar fundos para a construção do novo templo com linhas neogóticas, projetado pelo arquiteto Maximiliano Hehl.

Curiosamente, parte da cantaria necessária veio da Europa e alguns acidentes ocorreram neste período, quando o vapor Bogor, que trazia pedras para a construção, submergiu na costa portuguesa. Dom Duarte Leopoldo e Silva empenhou quase toda a fortuna de sua família na construção da igreja, mas não viveu para ver a inauguração.

Contudo, com os conflitos da Segunda Guerra Mundial, as cantarias deixaram de vir da Europa, e todo o material, inclusive os granitos, passou a ser comprado de uma pedreira em Ribeirão Pires (SP).

A Catedral da Sé em obras no ano de 1952
A Catedral da Sé em obras no ano de 1952

As obras para a construção do templo tiveram início no ano de 1913 e só seria finalizada 41 anos depois. No dia 25 de janeiro de 1954, o então arcebispo de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos preside a missa inaugural na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé com uma mensagem do Papa Pio XII. Não era para menos, afinal, era a festa do quarto centenário da cidade. É importante informar que a Catedral foi inaugurada sem suas duas torres principais que só ficariam prontas na década de 70.

Registro da Catedral da Sé em 1962
Registro da Catedral da Sé em 1962

Os vitrais, uma das grandes atrações do monumento, foram desenhados pelo mesmo homem que trabalhara no Mercadão: o russo Conrado Sorgenicht Filho. As dimensões da obra são um esplendor: são 112 metros de comprimento por 47 de largura em uma construção de granito maciço.  Além disso, foram utilizadas 800 toneladas de “mármores raros” em diversos detalhes dentro da Catedral.

Catedral da Sé, em construção, no ano de 1939
Catedral da Sé, em construção, no ano de 1939

A igreja contém estátuas em bronze e seu subterrâneo tem esculturas do renomado artista Fernando Leopoldo. Além disso, o mausoléu do cacique Tibiriçá também está lá, em respeito ao índio que acolheu e possibilitou a fundação da cidade de São Paulo.

Outro ponto de destaque é o órgão que a igreja tem a sua disposição. Fabricado no ano de 1954, o instrumento conta com 329 comandos, 12 mil tubos e cinco teclados manuais.

Por ser um dos monumentos mais antigos da cidade de São Paulo, ela se tornou um dos mais famosos símbolos da nossa cidade. Em frente à Catedral da Sé fica o Marco Zero da cidade de São Paulo. O monumento de mármore em forma hexagonal, construído em 1934, traz um mapa das estradas que partem de São Paulo com destino a outros estados.

Cada um dos seus lados representa, simbolicamente, outro estado brasileiro: o Paraná (araucária), Mato Grosso (vestimenta dos Bandeirantes), Santos (navio), Rio de Janeiro (Pão de Açúcar e suas bananeiras), Minas Gerais (materiais de mineração profunda) e Goiás (bateia, material de mineração de superfície). Além disso, a linha imaginária do Trópico de Capricórnio passar por esse marco.

A Catedral passou por um processo de restauração devido ao seu precário estado de conservação. Durante o restauro, optou-se pela conclusão do projeto original, que previa a construção de 14 torreões. Suas obras duraram três anos e consumiram R$ 19,5 milhões.

A missa que marcou a “reinauguração” foi celebrada pelo cardeal-arcebispo Dom Cláudio Hummes (1998-2006), e contou com a presença de várias autoridades, entre elas a do governador Geraldo Alckmin (2001-2006) e da Marta Suplicy prefeita (2000-2004).

A estação do Metrô que carrega o nome da Catedral é uma das mais movimentadas da cidade  e foi inaugurada no dia 17 de fevereiro de 1978. Para a consolidação dessa passagem do Metrô, foram necessárias diversas demolições como a do Edifício Mendes Caldeira e o Palacete Santa Helena.

Vista do Palacete Santa Helena com a Catedral da Sé em construção.
Vista do Palacete Santa Helena com a Catedral da Sé em construção.

Curiosidades

– As esculturas laterais da Catedral são as dos quatro profetas: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Na área central da fachada está São João Batista e, do outro lado, os evangelistas: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João.

– Encontram-se, ainda, na fachada nobre, as figuras de Santo Anastácio, São Cirilo, São Gregório Nazianzeno, São João Crisóstomo, Santo Ambrósio, São Jerônimo, Santo Agostinho e São Gregório Magno.

– A Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, foi projetada pelo alemão Maximilian Emil Hehl

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